terça-feira, janeiro 24, 2012

Os Dons Espirituais - 05.

 
A importância do conhecimento.

Deus tem dons espirituais reservados para todos os crentes. O Senhor espera que cada crente seja fiel no uso de seus dons e que tenha amor, para que qualquer dom seja coerente.

O conhecimento produz a fé – A fé é a essência dos dons espirituais, e é imprescindível no uso deles. O fato dos dons serem espirituais, isto é, provenientes do Espírito, nos revela a necessidade de termos fé, pois é ela que nos torna crentes em Jesus. Além disso, é através da fé que nos tornamos cristãos úteis, por intermédio do uso dos dons.
Como podemos adquirir fé? A fé vem pelo nosso conhecimento da Bíblia. Portanto adquirimos fé pelo conhecimento dos dons espirituais. Paulo afirmou isso claramente ao dizer: “Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?” (Romanos 10:14 RA). Adquirimos conhecimento ao ouvir a mensagem do evangelho. E uma vez que temos esse conhecimento, é possível termos fé.
Vejamos o que aconteceu com os cristãos de Éfeso. Em seu primeiro encontro com eles, o apóstolo Paulo lhes perguntou: “... Recebestes, porventura, o Espírito Santo quando crestes? Ao que lhe responderam: Pelo contrário, nem mesmo ouvimos que existe o Espírito Santo.” (Atos 19:2 RA). Porque não tinham ainda ouvido a respeito daquele assunto, não tinham conhecimento. E porque não tinham conhecimento não podiam crer.
Então Paulo passou a ensiná-los, e através dessa instrução, os efésios adquiriram o conhecimento. E uma vez tendo-o adquirido, a fé nasceu nos seus corações. Portanto reconhecemos que o primeiro passo para termos fé, de maneira a receber e a reconhecer os dons espirituais, é adquirirmos o conhecimento a respeito deles. O conhecimento também é importante para o uso efetivo dos dons. Enquanto formos ignorantes sobre os dons espirituais não seremos capazes de aplicá-los em nossa vida e ministério, da maneira que Deus deseja.
A fé é a essência dos dons espirituais. A fé vem através do conhecimento da Bíblia, que se adquire pela leitura ou pelo ouvir a mensagem da pregação. É muito importante adquirir sólido conhecimento sobre os dons espirituais.
O conhecimento governa a fé – O conhecimento não apenas produz a fé, ele também a controla. Em outras palavras ele nos dá uma direção e estabelece limites. Por essa razão é importante que o nosso conhecimento sobre os dons seja o mais completo e verdadeiro possível. Um conhecimento falso ou parcial lança um fundamento de fé igualmente falso e incompleto.
Muitos cristãos têm aprendido, por exemplo, que o dom de línguas não é para os nossos dias. E porque acataram esse ensinamento errado, não possuem fé para receber tal dom. Eles só podem crer naquilo que conhecem. Não conseguirão ter fé além do conhecimento que possuem. A menos que corrijam o que sabem sobre o assunto, esses crentes passarão a vida inteira achando que o dom de línguas não é para eles.
Portanto, é muito importante que nosso conhecimento a respeito dos dons espirituais seja pleno e verdadeiro.

Viva Jesus!
Deus lhe abençoe!

terça-feira, janeiro 10, 2012

Os Dons Espirituais - 04.

Continuação do post anterior.

Devemos ser fiéis no uso dos dons de Deus.

Devemos reconhecer os dons – Como membros do corpo de Cristo temos um ministério espiritual a exercer. E para nos capacitar para esse trabalho, Deus nos deu um dom ou, possivelmente, mais de um dom. Cada membro recebe ao menos um dom. Em praticamente todas as passagens bíblicas que falam sobre os dons espirituais lemos que eles são para todos os membros do corpo de Cristo. Não são os nossos pais ou professores que nos concedem esses dons, pois nenhum ser humano tem poder para fazer isso. Além do mais, eles não são talentos que recebemos naturalmente.

Os talentos são habilidades com as quais as pessoas já nascem. Cada um de nós possui habilidades diferentes. Alguns chamam esses talentos de dons, mas não são iguais aos dons espirituais. Muitas pessoas que não são crentes têm talentos. Um incrédulo, por exemplo, pode ter um talento musical, ou talvez a habilidade de falar em público. Todavia esses dons não são dons espirituais.

Os dons espirituais vêm todos de uma única fonte: Deus. “Tudo de bom que recebemos e tudo o que é perfeito vêm do céu, vêm de Deus, o Criador das luzes do céu. Ele não muda, nem varia de posição, o que causaria a escuridão.” (Tiago 1:17 NTLH).

Devemos usar os dons – Na Bíblia encontramos uma regra simples que se aplica a todo e qualquer dom espiritual. Está escrito: “Curem os leprosos e outros doentes, ressuscitem os mortos e expulsem os demônios. Vocês receberam sem pagar; portanto, dêem sem cobrar.” (Mateus 10:8 NTLH). Isso significa que os membros do corpo de Cristo devem usar os dons que receberam para atender ao propósito para o qual eles lhes foram concedidos.

Por vezes os crentes falham em usar seus dons espirituais e, às vezes, eles os usam de maneira egoísta e sem amor. Em ambos os casos, não estão cumprindo o propósito a que se destinam. Concluímos então que os cristãos têm dois deveres. Primeiro, use cada dom para cumprir o propósito estabelecido por Deus. Segundo, controle o uso desses dons com o amor. “Sejam bons administradores dos diferentes dons que receberam de Deus. Que cada um use o seu próprio dom para o bem dos outros!” (1 Pedro 4:10 NTLH). Em outras palavras, devemos zelar pelos dons que recebemos e usá-los para o crescimento do Reino de Deus. Há um mandamento bem claro com respeito aos administradores dons de Deus, também chamados de mordomos ou despenseiros. “O que se exige de quem tem essa responsabilidade é que seja fiel ao seu Senhor.” (1 Coríntios 4:2 NTLH). Quando somos fiéis no exercício dos dons espirituais, glorificamos a Deus, que os deu, e trazemos bênçãos para o corpo.

O amor é a chave para o uso eficaz dos dons espirituais. Sem amor os dons espirituais não cumprem o seu propósito. “Pois, quando estamos unidos com Cristo Jesus, não faz diferença nenhuma estar ou não estar circuncidado. O que importa é a fé que age por meio do amor.” (Gálatas 5:6 NTLH). Devemos usar os dons espirituais para o bem dos outros. Honramos a Deus quando somos fiéis no uso dos dons que ele nos deu.

Viva Jesus!

Deus lhe abençoe!

segunda-feira, dezembro 26, 2011

Os Dons Espirituais - 03.

Continuação do post anterior.
Não devemos nos comparar com os outros.

A comparação desagrada a Deus – Deus nos fez diferentes uns dos outros, da mesma maneira que criou cada membro do nosso corpo diferente dos demais. Sabemos que Deus criou cada parte de nosso corpo e a colocou onde está de maneira a servir um propósito específico.

Quando nos comparamos com outros membros do corpo de Cristo e reclamamos por sermos diferentes, desagradamos ao Senhor. Devemos compreender que Deus nos fez como somos e nos colocou onde estamos para beneficiar a todo o corpo, bem como para Sua própria glória.

Se somos infelizes pelo fato do nosso dom (ou dons) ser diferente do de outra pessoa, estamos julgando a Deus. É o mesmo que dizer: “Deus, por que o Senhor não deu tal dom para mim?” (Leia em 1 Coríntios 12.15-18: “Se o pé disser: “Já que não sou mão, não sou do corpo”, nem por isso deixa de ser do corpo. Se o ouvido disser: “Já que não sou olho, não sou do corpo”, nem por isso deixa de ser do corpo. Se o corpo todo fosse olho, como poderíamos ouvir? E, se o corpo todo fosse ouvido, como poderíamos cheirar? Assim Deus colocou cada parte diferente do corpo conforme ele quis.” - NTLH).

A comparação desestimula as pessoas - “É claro que não nos atrevemos a nos igualar ou a nos comparar com aqueles que pensam que são tão importantes. Como são ignorantes! Primeiro eles resolvem quais as medidas que irão usar para se medir e depois eles se julgam de acordo com essas mesmas medidas.” (2 Coríntios 10:12 NTLH).

Quando comparamos os nossos dons com o de outras pessoas, duas situações podem ocorrer Primeiro, nós mesmos poderemos nos sentir desestimulados porque os nossos dons não são iguais aos da outra pessoa. Poderão parecer menos importantes que os dela. Segundo, poderemos ficar orgulhosos por pensar que nossos dons tem mais valor que os de nosso irmão. Daí estaremos desestimulando a ele.

É muito importante e de grande benefício para nós entendermos que Deus nos concede os dons que nos são adequados. Deus nos concede os dons que nos são compatíveis. Então não há razão para ficarmos comparando os nossos dons com aqueles dados aos outros.

Há um outro detalhe importante que deve ser mencionado. Paulo escreveu o seguinte: “assim também nós, embora sejamos muitos, somos um só corpo por estarmos unidos com Cristo. E todos estamos unidos uns com os outros como partes diferentes de um só corpo.” (Romanos 12:5 NTLH). Não há motivos para comparar-mos os nossos dons com os de outra pessoa, uma vez que somos todos membros do mesmo corpo. Cada um de nós se beneficia dos demais. Porque tentaríamos comparar os nossos pés com a nossa boca? Eles não são parecidos. Não tem funções semelhantes. Entretanto ambos são necessários e contribuem igualmente para um mesmo propósito. Nossos pés nos levam até o alimento. Nossa boca o ingere, mas todo o corpó se beneficia. O mesmo se dá com os membros do corpo de Cristo.

Leia 1 Coríntios 12.21-27: “Portanto, o olho não pode dizer para a mão: “Eu não preciso de você.” E a cabeça não pode dizer para os pés: “Não preciso de vocês.” O fato é que as partes do corpo que parecem ser as mais fracas são as mais necessárias, e aquelas que achamos menos honrosas são as que tratamos com mais honra. E as partes que parecem ser feias recebem um cuidado especial, que as outras mais bonitas não precisam. Foi assim que Deus fez o corpo, dando mais honra às partes menos honrosas. Desse modo não existe divisão no corpo, mas todas as suas partes têm o mesmo interesse umas pelas outras. Se uma parte do corpo sofre, todas as outras sofrem com ela. Se uma é elogiada, todas as outras se alegram com ela. Pois bem, vocês são o corpo de Cristo, e cada um é uma parte desse corpo.” - NTLH).
Continua no próximo post.

terça-feira, dezembro 13, 2011

Os dons espirituais - 02.

Continuação do post anterior.
Todo membro é importante.

Cada membro faz parte do corpo - o que o dedão do pé faria se não estivesse ligado ao corpo? Nada além de decompor-se e tornar-se pó. Mesmo assim ele é uma parte importante do corpo. Sem ele não seríamos perfeitos. Um corpo que não possui todos os seus membros é limitado em todas as suas realizações. Alguém que não tem uma das pernas não pode correr; uma pessoa sem os olhos não consegue ler, e uma outra desprovida dos braços não é capaz de subir em árvores.

Todos os membros do corpo de Cristo são muito importantes para ele. “Pois bem, vocês são o corpo de Cristo, e cada um é uma parte desse corpo.” (1 Coríntios 12:27 NTLH). Podemos desenvolver esse raciocínio dizendo que cada cristão constitui uma pequena parcela do corpo de Cristo. Somos uma parte dele, exatamente como o dedão do pé é uma parcela, um pedaço e uma porção do nosso corpo.

Cada membro tem uma função específica – Os dedos do pé não têm a mesma função que o ouvido. Nem os olhos tem a mesma utilidade dos pés. De maneira semelhante, no corpo de Cristo os membros não tem a mesma função. Na verdade cada um desempenha sua atividade específica. A palavra função significa “trabalho ou dever especial”. A função dos olhos, por exemplo, é enxergar. Voltemos ao exemplo do dedão do pé. Algumas vezes ele fica escondido dentro do Sapato e raramente nos lembramos dele. Além de participar com os outros dedos para compor o pé e torná-lo perfeito, o dedão contribui para o equilíbrio de todo o corpo. Se por um infortúnio viermos a perdê-lo ele nos fará muita falta. Todo o nosso corpo se beneficia pelo fato de o dedão estar presente. Sem ele tropeçaríamos facilmente. Além disso não correríamos bem e andaríamos mancando.

Os membros do corpo de Cristo são como as partes que constituem nosso corpo físico. Cada membro tem sua função própria, e são importantes, tanto para a cabeça como para o restante do corpo. Leia em 1 Coríntios 12.18-25: “ Assim Deus colocou cada parte diferente do corpo conforme ele quis. Se o corpo todo fosse uma parte só, não existiria corpo. De fato, existem muitas partes, mas um só corpo. Portanto, o olho não pode dizer para a mão: “Eu não preciso de você.” E a cabeça não pode dizer para os pés: “Não preciso de vocês.” O fato é que as partes do corpo que parecem ser as mais fracas são as mais necessárias, e aquelas que achamos menos honrosas são as que tratamos com mais honra. E as partes que parecem ser feias recebem um cuidado especial, que as outras mais bonitas não precisam. Foi assim que Deus fez o corpo, dando mais honra às partes menos honrosas. Desse modo não existe divisão no corpo, mas todas as suas partes têm o mesmo interesse umas pelas outras.” - NTLH.

Continua no próximo post.

Viva Jesus!

Deus lhe abençoe!

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Os dons espirituais – 01.

Somos todos membros de um corpo.

Cristo é o cabeça - Precisamos de ajuda para entender a relação entre Cristo e aqueles que crêem nele. O apóstolo Paulo usou uma metáfora do corpo humano para ilustrar essa relação. Ele disse que Cristo é a cabeça do corpo. Todos sabemos como a nossa cabeça é importante. Sem ela duas coisas aconteceriam. Primeiro, obviamente morreríamos, pois não podemos viver sem a nossa cabeça. Segundo, não nos moveríamos, e seríamos inúteis. A cabeça controla o nosso corpo, possibilitando realizar tarefas. Igualmente Cristo, a cabeça, deseja levar o seu corpo a fazer a sua vontade. Outro nome que damos ao corpo de Cristo é Igreja.
Há várias passagens da Bíblia onde lemos que Cristo é a cabeça do corpo. Leia os versículos seguintes na versão corrigida: Efésios 1.22,23: “E sujeitou todas as coisas a seus pés e, sobre todas as coisas, o constituiu como cabeça da igreja, que é o seu corpo, a plenitude daquele que cumpre tudo em todos.” ; Efésios 4.15,16: “Antes, seguindo a verdade em caridade, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, do qual todo o corpo, bem ajustado e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor.” ; Efésios 5.23: “ porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo.”; e Colossences 2.19: “e não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus”.
Os crentes são o corpo – Uma cabeça sem corpo é tão inútil quanto um corpo sem cabeça. Ambos são importantes juntos. O corpo de Cristo é formado por todos aqueles que creem em Jesus. Como crentes somos todos parte do corpo, e essa é uma coisa maravilhosa! Paulo disse o seguinte: “assim também nós, embora sejamos muitos, somos um só corpo por estarmos unidos com Cristo. E todos estamos unidos uns com os outros como partes diferentes de um só corpo.” (Romanos 12:5 NTLH).
Cada crente é um membro – O corpo de Cristo tem duas partes principais: (1) a cabeça e (2) o corpo que é formado por vários membros, que são muitos. Nosso corpo físico não tem só uma única parte. Nossos braços, nossas pernas, nossos dedos, nosso coração, etc. são todos partes distintas do nosso corpo. Assim também é o corpo de Cristo. Cada crente verdadeiro se torna parte desse corpo. Isso significa que toda pessoa, em qualquer parte do mundo, que realmente crê em Jesus, pertence a esse corpo. “Pois o corpo não é feito de uma só parte, mas de muitas.” (1 Coríntios 12:14 NTLH). Pessoas de todas as raças, cores, povos e nações fazem parte de um mesmo corpo.

quarta-feira, novembro 16, 2011

A suficiência da Bíblia.


A Palavra de Deus sempre foi alvo dos mais diversos ataques. O mais comum é a suposição de sua falibilidade. No entanto, um ataque mais sutil é a concepção de que a Bíblia não é suficiente para nos dirigir e controlar.

Historicamente, esse problema já apareceu, por volta de 1520, quando a Reforma estava sendo iniciada. Na Alemanha, surgiu um grupo de homens “iluminados” que alegava ter revelações especiais diretamente de Deus, entendendo terem sido chamados por Deus para completar a Reforma. Eles acreditavam que o fim dos tempos estava próximo -os ímpios seriam exterminados-, e por isso não era necessário estudar a Bíblia, pois o Espírito Santo estaria inspirando os ignorantes. Eles raciocinavam: “De que vale aderir assim tão estritamente à Bíblia? Poderá a Bíblia nos fazer sermão? E mais: Somente pelo Espírito é que poderemos ser iluminados; O próprio Deus fala dentro de nós; Ele nos revela tudo aquilo que devemos fazer e pregar”.

Então escolheram doze “apóstolos“ e setenta e dois “discípulos”, declarando que, finalmente, foram restituídos à igreja os apóstolos e profetas e passaram a pregar o que eles consideravam a verdadeira religião cristã.

Essa forma de misticismo ainda está presente na igreja de hoje e tem sido extremamente pernicioso para o povo de Deus, acarretando desvio espiritual e teológico, deslocando o “eixo hermenêntico” da Palavra para a experiência mística, afastando-nos da Palavra e, conseqüentemente do Deus da Palavra. Essas pessoas patrocinam o distanciamento da Palavra revelada de Deus.
O salmista enfatiza: “O SENHOR Deus é amigo daqueles que o temem e lhes ensina as condições da aliança que fez com eles.” (Salmos 25:14 NTLH). Portanto, a intimidade com Deus revela-se em nosso apego à Sua Palavra e a Sua Aliança

Daí, devemos entender que A Bíblia, a Palavra de Deus, é a única fonte autoritativa de Deus para o nosso pensar, crer, sentir e agir. Ela é única e suficiente.

Viva Jesus!

Deus lhe abençoe!

sexta-feira, outubro 28, 2011

A Interpretação da Bíblia I.

O texto bíblico diz em 2 Pedro 3.16: ‘‘… há certas coisas difíceis de entender que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras para a própria destruição deles’’.

E para maior desgraça e calamidade, quando esses ignorantes se apresentam como doutos, torcendo as Escrituras para provar seus erros, arrastam consigo multidões à perdição. Tais ignorantes, sempre se tem constituído em heresiarcas ou falsos profetas, desde a antiguidade.

Não há livro mais perseguido pelos inimigos, nem livro mais torturado pelos amigos do que a Bíblia, devido à falta de conhecimento das sadias regras para sua interpretação. Essa ‘‘dádiva do céu’’ não nos veio para que cada qual a use a seu próprio gosto, mutilando-a, tergiversando ou torcendo-a para nossa perdição.

A interpretação correta da Bíblia é necessária por causa das lacunas históricas, culturais, lingüísticas e filosóficas que obstruem a compreensão espontânea e exata. Há um abismo histórico, pois nos encontramos muito separados no tempo, tanto dos escritores como dos primitivos leitores. Há também, um abismo cultural que se reflete nas diferenças significativas entre as culturas dos antigos hebreus, do mundo na época de Cristo e do nosso mundo atual.

Outro bloqueio à compreensão espontânea da mensagem bíblica é a diferença lingüística. Nunca é demais lembrar que a Bíblia foi escrita em hebraico, aramaico e grego, línguas que possuem estruturas e expressões idiomáticas muito diferentes da nossa própria língua. E outro bloqueio significativo para o entendimento é a lacuna filosófica, ou seja, opiniões sobre a vida, as circunstâncias e a natureza do universo diferem entre as várias culturas. Para transmitir, validamente, uma mensagem de uma cultura para outra, o tradutor ou o leitor deve estar ciente tanto das similaridades como dos contrastes das cosmovisões.

Jesus Cristo foi uniforme no trato das narrativas históricas do Antigo Testamento, como registros fiéis do fato; muitas vezes, escolheu como base do seu ensino as mesmas histórias que a maioria dos críticos modernos considera inaceitáveis. Ex: O dilúvio de Noé (Mateus 24.37-39); Sodoma e Gomorra (Mateus 10.15; 11.23,24); a história de Jonas (Mateus 12.39-41).

Quando Jesus fazia aplicação do registro histórico, Ele o extraia do significado normal do texto, contrário ao sentido alegórico. Ele não mostrou tendência alguma para dividir a verdade da Escritura em níveis, ou seja, um nível superficial, baseado no significado literal do texto e uma verdade mais profunda, baseada em algum nível místico, como faziam os mestres judeus da sua época. Jesus denunciou o modo como os dirigentes religiosos haviam desenvolvido métodos casuísticos que punham à parte a própria Palavra de Deus, que eles alegavam estar interpretando, e no lugar colocavam as suas próprias tradições (Marcos 7.6-13; e Mateus 15.1-9).

Martinho Lutero (1483-1546) – acreditava que a fé e a iluminação do Espírito Santo eram indispensáveis ao intérprete da Bíblia. Asseverava que a Bíblia devia ser vista com olhos inteiramente diferentes daqueles com que vemos outras produções literárias. Lutero sustentava também que a Igreja não deveria determinar o que as Escrituras ensinam, mas as Escrituras é que devem dizer o que a Igreja deve ensinar. Ele rejeitou a interpretação alegórica da Escritura, que predominava na Idade Média, chamando-a de ‘‘sujeira’’ e ‘‘escória’’. Segundo Lutero, uma interpretação adequada da Escritura, deve proceder de uma compreensão literal do texto. O intérprete deve considerar em sua exegese as condições históricas, a gramática e o contexto. Ele acreditava, também, que a Bíblia é um livro ‘‘claro’’, contrariamente ao dogma católico-romano de que as Escrituras são tão obscuras que somente a Igreja pode revelar seu verdadeiro significado.

Um dos grandes princípios hermenêuticos de Lutero dizia que se deve fazer cuidadosa distinção entre a Lei e o Evangelho. A Lei refere-se a Deus em seu ódio ao pecado, seu juízo e sua ira. O Evangelho refere-se a Deus em sua graça, seu amor e sua salvação. Ambos os aspectos existem lado a lado na Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamento.

Calvino (1509-1564) – Também considerava a iluminação do Espírito Santo necessária para a correta interpretação da Bíblia e, que a interpretação alegórica era artimanha de satanás para obscurecer o sentido da Escritura.

Calvino ensinou que ‘‘a Escritura interpreta a Escritura’’ mostrando a importância que ele dava ao estudo do contexto, da gramática, das palavras e das passagens paralelas, em lugar de trazer para o texto o significado do próprio intérprete. Calvino disse que ‘‘a primeira tarefa de um intérprete é deixar que o autor diga o que ele de fato diz, em vez de atribuir-lhe o que penso que ele deva dizer’’.

Essa mensagem continua no post seguinte.