quarta-feira, outubro 27, 2010

Revelação Especial.
Revelação Especial é a revelação que Deus faz de Si mesmo e da Sua mensagem a um indivíduo ou a um grupo de pessoas, por meio de palavras ou acontecimentos especiais históricos, tendo em vista um determinado fim, notadamente a redenção.
Na revelação especial Deus se serviu de palavras, visões, sonhos (Veja em Números 12.6: “Então, disse: Ouvi, agora, as minhas palavras; se entre vós há profeta, eu, o SENHOR, em visão a ele, me faço conhecer ou falo com ele em sonhos.” - RA; em Gênesis 28.12-15:
Então Jacó sonhou. Ele viu uma escada que ia da terra até o céu, e os anjos de Deus subiam e desciam por ela. O SENHOR Deus estava ao lado dele e disse: —Eu sou o SENHOR, o Deus do seu avô Abraão e o Deus de Isaque, o seu pai. Darei a você e aos seus descendentes esta terra onde você está deitado. Os seus descendentes serão tantos como o pó da terra. Eles se espalharão de norte a sul e de leste a oeste, e por meio de você e dos seus descendentes eu abençoarei todos os povos do mundo. Eu estarei com você e o protegerei em todos os lugares aonde você for. E farei com que você volte para esta terra. Eu não o abandonarei até que cumpra tudo o que lhe prometi.” - NTLH;
em Gênesis 31.11-13: “O Anjo de Deus me chamou pelo nome, e eu respondi: “Aqui estou.” Então ele continuou: “Veja! Todos os bodes que estão cruzando são listados, malhados e manchados. Eu estou fazendo com que isso aconteça porque tenho visto o que Labão está fazendo com você. Eu sou o Deus que apareceu a você em Betel, onde você me dedicou uma pedra, derramando azeite sobre ela, e onde você me fez uma promessa. Agora prepare-se, saia desta terra e volte para a terra onde você nasceu.”” - NTLH; em Daniel 2.1 e seguintes: “ No segundo ano de Nabucodonosor como rei da Babilônia, ele teve uns sonhos que o deixaram tão preocupado, que não podia dormir.” - NTLH e versículos seguintes; em Mateus 2.12,13: “ E num sonho Deus os avisou que não voltassem para falar com Herodes. Por isso voltaram para a sua terra por outro caminho. Depois que os visitantes foram embora, um anjo do Senhor apareceu num sonho a José e disse: —Levante-se, pegue a criança e a sua mãe e fuja para o Egito. Fiquem lá até eu avisar, pois Herodes está procurando a criança para matá-la.” - NTLH;
em Mateus 2.19-22: “Depois que Herodes morreu, um anjo do Senhor apareceu num sonho a José, no Egito, e disse: —Levante-se, pegue a criança e a sua mãe e volte para a terra de Israel, pois as pessoas que queriam matar o menino já morreram. Então José se levantou, pegou a criança e a sua mãe e voltou para a terra de Israel. Mas, quando ficou sabendo que Arquelau, filho do rei Herodes, estava governando a Judéia no lugar do seu pai, teve medo de ir morar lá. Depois de receber num sonho mais instruções, José foi para a região da Galiléia” - NTLH; em Gálatas 1.11,12: “Meus irmãos, eu afirmo a vocês que o evangelho que eu anuncio não é uma invenção humana. Eu não o recebi de ninguém, e ninguém o ensinou a mim, mas foi o próprio Jesus Cristo que o revelou para mim.” - NTLH;
em Atos 9.3-6: “Mas na estrada de Damasco, quando Saulo já estava perto daquela cidade, de repente, uma luz que vinha do céu brilhou em volta dele. Ele caiu no chão e ouviu uma voz que dizia: —Saulo, Saulo, por que você me persegue? —Quem é o senhor? —perguntou ele. A voz respondeu: —Eu sou Jesus, aquele que você persegue. Mas levante-se, entre na cidade, e ali dirão a você o que deve fazer.” - NTLH; em Atos 10.10-13: “Pedro ficou com fome e quis comer alguma coisa. Enquanto o almoço estava sendo feito, ele teve uma visão. Viu o céu aberto e uma coisa parecida com um grande lençol amarrado pelas quatro pontas, que descia até o chão. Dentro daquilo havia todos os tipos de animais de quatro patas, de animais que se arrastam pelo chão e de aves. Então Pedro ouviu uma voz, que dizia: —Pedro, levante-se! Mate e coma!” - NTLH; em Atos 16.9,10: “ Naquela noite Paulo teve uma visão. Ele viu um homem da província da Macedônia, que estava de pé e lhe pedia: “Venha para a Macedônia e nos ajude!” Logo depois dessa visão, nós resolvemos partir logo para a Macedônia, pois estávamos certos de que Deus nos havia chamado para anunciar o evangelho ao povo dali.” - NTLH; e as visões do Apocalipse.
Continua no próximo post.
Viva Jesus!
Deus lhe abençoe!

sexta-feira, outubro 08, 2010

Revelação e Escritura -2.

II – Revelação Geral (continuação do post anterior).
De modo geral, o homem não vive sem a idéia da divindade e sem religião, pois sabe que há uma divindade da qual é dependente e à qual terá de prestar contas.
Na providência divina, isto é, na constante atividade de Deus em manter e dirigir a Criação, Ele também se revela a nós. (Veja em Atos 14.17: “contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria.” - RA; e em Mateus 6.26,30: “Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? “ Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé?” - RA). O curso das leis da natureza, mantendo a existência das coisas criadas, mostra ao homem que há uma Providência infinita, poderosa, bondosa esábia, que criou essas leis e as sustenta, tendo em vista um propósito.
A história do mundo também manifesta a ação de Deus (veja em Salmo75.6,7: “Pois o julgamento não vem do Leste, nem do Oeste, nem do Norte, nem do Sul. É Deus quem julga; é ele quem declara que uns são culpados e que outros são inocentes.” - NTLH; em Daniel 2.20,21: “dizendo: “Que o nome de Deus seja louvado para sempre, pois dEle são a sabedoria e o poder! É Ele quem faz mudar os tempos e as estações; é Ele quem põe os reis no poder e os derruba; é Ele quem dá sabedoria aos sábios e inteligência aos inteligentes.” - NTLH; em Daniel 4.25: “O senhor será expulso do meio dos seres humanos e ficará morando com os animais selvagens. O senhor comerá capim como os bois, dormirá ao ar livre e ficará molhado pelo sereno. Isso durará sete anos, até que o senhor reconheça que o Deus Altíssimo domina todos os reinos do mundo e coloca como rei o homem que Ele quer.” - NTLH; em Romanos 13.1: “Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas.” - RA; e em Atos 17.26,27: “De um só homem ele criou todas as raças humanas para viverem na terra. Antes de criar os povos, Deus marcou para eles os lugares onde iriam morar e quanto tempo ficariam lá. Ele fez isso para que todos pudessem procurá-lo e talvez encontrá-lo, embora ele não esteja longe de cada um de nós.” - NTLH).
Enfim, toda a criação, a consciência humana, os fenômenos da natureza e os acontecimentos históricos manifestam Deus, assim como qualquer obra revela aspectos do seu autor. A ciência moderna, descobrindo cada vez mais este universo, pode enriquecer nosso conhecimento da grandeza de Deus.
Viva Jesus!
Deus lhe abençõe!

sábado, setembro 25, 2010

Revelação e Escritura.

I – Revelação.
O termo revelação significa a exposição daquilo que era anteriormente desconhecido. Na teologia, revelação é o ato de Deus manifestar a si mesmo e a sua mensagem ao homem, e o produto dessa manifestação. A revelação, portanto, não consiste apenas em tornar o homem sabedor do poder, dos atributos e dos propósitos de Deus, mas também em estabelecer o contato pessoal entre Deus e o homem, advindo daí a experiência religiosa.
Se não fosse a revelação de Deus, o homem não poderia ter conhecimento da divindade. Deus não é parte da criação, logo Ele não pode ser descoberto na natureza pela pesquisa humana. Além disso há uma distância muito grande entre o homem e Deus, em duplo aspecto: mental e moral. A solução para essa dificuldade no conhecimento de Deus é a revelação. Onde não há revelação de Deus resta apenas o intelecto humano, lutando com toda a sorte de hipóteses. Mas o que se verifica é que Deus Se revelou tanto por meio da criação como por outros meios. Podemos classificar a revelação em dois grupos: Revelação geral e revelação especial.
II – Revelação Geral.
Revelação geral é a auto manifestação de Deus mais abrangente e para toda a humanidade e ocorre por meio da criação, da natureza humana, da providência divina e da história.
A criação, isto é, a existência do mundo físico revela Deus como Realidade Eterna, seu poder infinito, sua sabedoria insondável. Veja nos versículos a seguir: (Salmo 8.1,3: “Ó SENHOR, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome! Pois expuseste nos céus a tua majestade. Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, e a lua e as estrelas que estabeleceste,” - RA; Salmo 19.1,2: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite.” - RA; Isaías 40.26: “Levantai ao alto os olhos e vede. Quem criou estas coisas? Aquele que faz sair o seu exército de estrelas, todas bem contadas, as quais ele chama pelo nome; por ser Ele grande em força e forte em poder, nem uma só vem a faltar.” - RA; Romanos 1.19.20: “porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens são, por isso, indesculpáveis;” - RA).
A natureza humana – O homem feito à imagem e semelhança de Deus, reflete, em sua natureza moral e religiosa, o Criador. Veja nos versículos a seguir: (Gênesis 1.21,27: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” - RA; Atos 17.28: “ Porque, como alguém disse: “Nele vivemos, nos movemos e existimos.” E alguns dos poetas de vocês disseram: “Nós também somos filhos dEle.”” - NTLH; Romanos 1.32: “Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem.” - RA; Romanos 2.14,15: “Quando, pois, os gentios, que não têm lei, procedem, por natureza, de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Estes mostram a norma da lei gravada no seu coração, testemunhando-lhes também a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-se ou defendendo-se,” - RA).
Continua no próximo post.
Dêem graças ao SENHOR, porque Ele é bom; o Seu amor dura para sempre!” (Salmo 118.29).
Viva Jesus!
Deus lhe abençoe!

sábado, setembro 11, 2010

A Suficiência da Bíblia.

A suficiência da Bíblia.
A Palavra de Deus sempre foi alvo dos mais diversos ataques. O mais comum é a suposição de sua falibilidade. No entanto, um ataque mais sutil é a concepção de que a Bíblia não é suficiente para nos dirigir e controlar.
Historicamente, esse problema já apareceu, por volta de 1520, quando a Reforma estava sendo iniciada. Na Alemanha, surgiu um grupo de homens “iluminados” que alegava ter revelações especiais diretamente de Deus, entendendo terem sido chamados por Deus para completar a Reforma. Eles acreditavam que o fim dos tempos estava próximo -os ímpios seriam exterminados-, e por isso não era necessário estudar a Bíblia, pois o Espírito Santo estaria inspirando os ignorantes. Eles raciocinavam: “De que vale aderir assim tão estritamente à Bíblia? Poderá a Bíblia nos fazer sermão? E mais: Somente pelo Espírito é que poderemos ser iluminados; O próprio Deus fala dentro de nós; Ele nos revela tudo aquilo que devemos fazer e pregar.
Então escolheram doze “apóstolos “ e setenta e dois “discípulos”, declarando que, finalmente, foram restituídos à igreja os apóstolos e profetas e passaram a pregar o que eles consideravam a verdadeira religião cristã.
Essa forma de misticismo ainda está presente na igreja de hoje e tem sido extremamente pernicioso para o povo de Deus, acarretando desvio espiritual e teológico, deslocando o “eixo hermenêntico” da Palavra para a experiência mística, afastando-nos da Palavra e, conseqüentemente do Deus da Palavra. Essas pessoas patrocinam o distanciamento da Palavra revelada de Deus.
O salmista enfatiza: “O SENHOR Deus é amigo daqueles que o temem e lhes ensina as condições da aliança que fez com eles.” (Salmos 25:14 NTLH). Portanto, a intimidade com Deus revela-se em nosso apego à Sua Palavra e a Sua Aliança
Daí, devemos entender que A Bíblia, a Palavra de Deus, é a única fonte autoritativa de Deus para o nosso pensar, crer, sentir e agir. Ela é única e suficiente.
Viva Jesus!
Deus lhe abençoe!

quarta-feira, agosto 11, 2010

A interpretação da Bíblia - 2.

Essa mensagem é a continuação do post anterior.
      Assim é que a complexa técnica da interpretação bíblica e sua aplicação exigem estudos que podem ser divididas em seis passos, a saber:
        – Análise histórico-cultural: considera o ambiente histórico cultural do escritor, a fim de entender suas alusões, referências e propósito. A análise contextual considera a relação de uma passagem com o corpo todo de um escrito para melhores resultados de compreensão proveniente de um conhecimento do pensamento geral.
        – Análise léxico-sintática: revela a compreensão das definições de palavras (lexicologia) e sua relação com as outras (sintaxe) a fim de se compreender com maior exatidão o significado que o escritor tencionava transmitir.
        – Análise teológica: estuda o nível de compreensão teológica na época da revelação a fim de averiguar o significado do texto para os seus primitivos destinatários. Leva em conta textos bíblicos relacionados, quer dados antes, quer depois da passagem bíblica.
        -Análise literária: identifica a forma ou método literário usado em determinada passagem com vistas às várias formas como história, narrativa, cartas, exposição doutrinal, poesia e apocalipse. Cada uma tem seus métodos únicos de expressão e interpretação.
        – Comparação com outros intérpretes: coteja a tentativa de interpretação derivada dos quatro passos acima com o trabalho de outros intérpretes.
        – Aplicação: É o importante passo que traduz o significado de um texto bíblico para os seus primeiros ouvintes com o mesmo significado que ele tem para os crentes em época e cultura diferentes.
      Apesar das influências de racionalistas e liberalistas, continuou a haver intérpretes que criam que a Escritura representa a revelação que Deus faz de si próprio – de suas palavras e de sua ação – à humanidade. Os estudos da história, da cultura, da língua e da compreensão teológica que cercam os primitivos ouvintes continuam a ser feitos para que se entenda o que a revelação bíblica significava para aqueles beneficiários. Os grandes princípios formulados pelos Reformadores protestantes tornaram-se os grandes princípios norteadores da moderna interpretação protestante ortodoxa.
      O leitor da Bíblia deve possuir uma moderna tradução ou uma boa Bíblia de Estudo, onde já estão incorporadas as interpretações provenientes da aplicação das corretas regras. Os tradutores já buscaram o sentido original das frases nas línguas originais, para assim criar equivalências semânticas no português moderno. E você pode confiar nela.
      As edições abaixo são de fácil compreensão. São traduções facilitadas que priorizam a comunicação direta com o público leitor:
        1 - A Bíblia Viva, Segunda Edição, São Paulo: Ed Mundo Cristão, 2002. Vários Tradutores.
        2 - Bíblia Sagrada: Nova Tradução na Linguagem de Hoje. Barueri (SP): Ed Sociedade Bíblica do Brasil, 2000.
        3 – Bíblia Sagrada: Nova versão internacional. (Traduzida pela Comissão de Tradução da Sociedade Bíblica Internacional). Editora Vida, S. Paulo.
      A Bíblia é a revelação do Onipotente. É o milagre permanente da suprema graça de Deus. É o código divino pelo qual seremos julgados no dia supremo; é o Testamento selado com o sangue de Cristo. A Lei do Senhor é perfeita; não há erro na Palavra. Jesus nos exorta a examinar as Escrituras para achar a verdade. Nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação.

      Meus amados, que a graça e a paz do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a presença do Espírito Santo estejam com todos vocês.
Leiam a Bíblia.

quarta-feira, agosto 04, 2010

A Interpretação da Bíblia.

O texto bíblico diz em 2 Pedro 3.16: "… há certas coisas difíceis de entender que os ignorantes e instáveis deturpam, como também deturpam as demais Escrituras para a própria destruição deles".
E para maior desgraça e calamidade, quando esses ignorantes se apresentam como doutos, torcendo as Escrituras para provar seus erros, arrastam consigo multidões à perdição. Tais ignorantes, sempre se tem constituído em heresiarcas ou falsos profetas, desde a antiguidade.
Não há livro mais perseguido pelos inimigos, nem livro mais torturado pelos amigos do que a Bíblia, devido à falta de conhecimento das sadias regras para sua interpretação. Essa ‘‘dádiva do céu’’ não nos veio para que cada qual a use a seu próprio gosto, mutilando-a, tergiversando ou torcendo-a para nossa perdição.
A interpretação correta da Bíblia é necessária por causa das lacunas históricas, culturais, lingüísticas e filosóficas que obstruem a compreensão espontânea e exata. Há um abismo histórico, pois nos encontramos muito separados no tempo, tanto dos escritores como dos primitivos leitores. Há também, um abismo cultural que se reflete nas diferenças significativas entre as culturas dos antigos hebreus, do mundo na época de Cristo e do nosso mundo atual.
Outro bloqueio à compreensão espontânea da mensagem bíblica é a diferença lingüística. Nunca é demais lembrar que a Bíblia foi escrita em hebraico, aramaico e grego, línguas que possuem estruturas e expressões idiomáticas muito diferentes da nossa própria língua. E outro bloqueio significativo para o entendimento é a lacuna filosófica, ou seja, opiniões sobre a vida, as circunstâncias e a natureza do universo diferem entre as várias culturas. Para transmitir, validamente, uma mensagem de uma cultura para outra, o tradutor ou o leitor deve estar ciente tanto das similaridades como dos contrastes das cosmovisões.
Jesus Cristo foi uniforme no trato das narrativas históricas do Antigo Testamento, como registros fiéis do fato; muitas vezes, escolheu como base do seu ensino as mesmas histórias que a maioria dos críticos modernos considera inaceitáveis. Ex: O dilúvio de Noé (Mateus 24.37-39); Sodoma e Gomorra (Mateus 10.15; 11.23,24); a história de Jonas (Mateus 12.39-41).
Quando Jesus fazia aplicação do registro histórico, Ele o extraia do significado normal do texto, contrário ao sentido alegórico. Ele não mostrou tendência alguma para dividir a verdade da Escritura em níveis, ou seja, um nível superficial, baseado no significado literal do texto e uma verdade mais profunda, baseada em algum nível místico, como faziam os mestres judeus da sua época. Jesus denunciou o modo como os dirigentes religiosos haviam desenvolvido métodos casuísticos que punham à parte a própria Palavra de Deus, que eles alegavam estar interpretando, e no lugar colocavam as suas próprias tradições (Marcos 7.6-13; e Mateus 15.1-9).
Martinho Lutero (1483-1546) – acreditava que a fé e a iluminação do Espírito Santo eram indispensáveis ao intérprete da Bíblia. Asseverava que a Bíblia devia ser vista com olhos inteiramente diferentes daqueles com que vemos outras produções literárias. Lutero sustentava também que a Igreja não deveria determinar o que as Escrituras ensinam, mas as Escrituras é que devem dizer o que a Igreja deve ensinar. Ele rejeitou a interpretação alegórica da Escritura, que predominava na Idade Média, chamando-a de ‘‘sujeira’’ e ‘‘escória’’. Segundo Lutero, uma interpretação adequada da Escritura, deve proceder de uma compreensão literal do texto. O intérprete deve considerar em sua exegese as condições históricas, a gramática e o contexto. Ele acreditava, também, que a Bíblia é um livro ‘‘claro’’, contrariamente ao dogma católico-romano de que as Escrituras são tão obscuras que somente a Igreja pode revelar seu verdadeiro significado.
Um dos grandes princípios hermenêuticos de Lutero dizia que se deve fazer cuidadosa distinção entre a Lei e o Evangelho. A Lei refere-se a Deus em seu ódio ao pecado, seu juízo e sua ira. O Evangelho refere-se a Deus em sua graça, seu amor e sua salvação. Ambos os aspectos existem lado a lado na Bíblia, tanto no Antigo como no Novo Testamento.
Calvino (1509-1564) – Também considerava a iluminação do Espírito Santo necessária para a correta interpretação da Bíblia e, que a interpretação alegórica era artimanha de satanás para obscurecer o sentido da Escritura.
Calvino ensinou que ‘‘a Escritura interpreta a Escritura’’ mostrando a importância que ele dava ao estudo do contexto, da gramática, das palavras e das passagens paralelas, em lugar de trazer para o texto o significado do próprio intérprete. Calvino disse que ‘‘a primeira tarefa de um intérprete é deixar que o autor diga o que ele de fato diz, em vez de atribuir-lhe o que penso que ele deva dizer’’.
Essa mensagem continua no post seguinte.