sábado, junho 17, 2017

Introdução ao Novo Testamento - 13.


Continuação do post anterior.
O evangelho de Mateus.
Com toda a propriedade o evangelho de Mateus aparece como o primeiro livro do Novo Testamento, pois seu conteúdo provê um elo apropriado entre o Antigo e o Novo Testamento.
De acordo com a tradição, o evangelho de Mateus foi escrito por Mateus, o publicano, um dos doze discípulos de Jesus (Veja em Mateus 9.9-13 e 10.3). Provavelmente Mateus escreveu seu Evangelho em algum tempo entre 50 a 70 d.C.
Ênfase. Mateus ressaltou tanto a identidade quanto os ensinamentos de Jesus. Referiu-se ao Antigo Testamento por mais de sessenta vezes, tendo destacado Jesus como o real Filho de Davi, o rei dos judeus, cuja vida cumpriu as profecias messiânicas do Antigo Testamento. Assim sendo, o seu evangelho forma uma ponte necessária entre o conteúdo do Antigo e do Nova Testamento. Nos escritos de Mateus, Jesus aparece não somente como um outro profeta ou mestre qualquer, mas como o próprio Filho de Deus que, um dia, haverá de sentar-se em Seu trono, na glória celestial, a fim de julgar todas as nações (vv 16.13-20; 25.31,32). Essa ênfase torna o evangelho de Mateus útil para demonstrar aos judeus que Jesus é o longamente esperado Messias que lhes fora prometido, aquele cuja vinda seus próprios profetas haviam predito. E também serve para ajudar aos gentios convertidos a compreenderem o pleno significado do Ministério de Jesus.
Além de ressaltar a identidade de Jesus como Messias, Mateus também chamou a atenção para os ensinamentos de Jesus. De fato, mais da metade do conteúdo do seu evangelho dedica-se a historiá-los. Ele incluiu diversas e longas passagens onde ficam registradas as palavras de Deus a respeito de certo número de importantes assuntos. Seu evangelho termina com a comissão dada por Jesus aos Seus seguidores, em uma incumbência na qual o próprio Jesus frisou a importância de Seus ensinamentos: “portanto ide, ensinai todas as nações... ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado...” (Mateus 28.19,20).
Além da ênfase dada por Mateus sobre o cumprimento das profecias do Antigo Testamento, na vida e nos ensinamentos de Jesus, há algumas outras características especiais encontradas em seu evangelho.
Ênfase sobre a Realeza e sobre o Reino. Mateus é o evangelho da realeza e do reino de Jesus. Desde sua primeira página, Jesus é identificado como o real filho de Davi da casa de Judá (vv. 1.1,3). Os sábios ou magos que vieram do oriente à procura de Jesus por ocasião de Seu nascimento, perguntaram onde havia nascido “o rei dos judeus” (vv 2.1,2). Durante o Seu ministério, Jesus falou por muitas vezes a respeito do Seu reino (vv 16.28). Através desse primeiro evangelho há trinta e oito referências ou ao “reino de Deus” ou ao “reino dos céus”. Uma semana antes de ser crucificado, Jesus entrou em Jerusalém como seu rei, cumprindo a profecia que aparece em Zacarias 9.9 (Mateus 21.1-11).
Embora os judeus se tenham recusado a reconhecer que Jesus era rei, outros o reconheceram como tal. A mulher cananéia que veio rogar a Cristo em favor de sua filha que padecia, chamou-O pelo Seu título real “filho de Davi” (v 15.21). Pilatos escreveu essas palavras em uma tabuleta e a colocou sobre a cruz de Cristo. A tabuleta dizia: “Este é Jesus, o rei dos judeus” (v 27.37).
A Atenção Dada aos Gentios. Mateus incluiu material com fatos que demonstravam o seu interesse pelos gentios. Por exemplo, ele dá os nomes de duas mulheres gentias em seus registros sobre os antepassados de Jesus (v 1.5 – Raabe e Rute). Falou sobre os magos que vieram do oriente, a fim de adorarem a Jesus (v 2.1,2). Registrou a declaração de Jesus sobre o fato de que o reino de Deus seria tirado dos judeus e dado a um povo que produziria os seus frutos (v 21.43), e encerrou o seu evangelho com a Grande Comissão, na qual Jesus disse que Seus seguidores fizessem discípulos de “todas as nações” (v 28.19).
Menção à Igreja. Entre os quatro evangelhos, o de Mateus é o único no qual aparece a palavra igreja. Encontra-se ali por três vezes (uma em 16.18 e duas vezes em 18.17).
Outros aspectos exclusivos. Mateus contêm nove incidentes, dez parábolas e três milagres que não se encontram nos demais evangelhos. Entre essas coisas foram incluídas, por exemplo, a visão de José (1.20-24), a cura do mudo endemoniado (9.32,33) e as parábolas do trigo e do joio (13.24-30, 36-43), e dos talentos (25.14-30).
Conteúdo. O conteúdo do evangelho de Mateus é escrito em torno de um duplo esboço. Um deles tem a ver com os eventos da vida de Jesus, e o outro com os seus ensinamentos. Em ambos os casos, Mateus repetiu frases, a fim de assinalar as divisões.

Continua no próximo post. 

segunda-feira, maio 22, 2017


Introdução ao Novo Testamento - 12.
Continuação do post anterior.
Os evangelhos.
As quatro narrativas dos evangelhos se harmonizam entre si; mas, ao mesmo tempo, cada um deles é sem igual, porquanto cada escritor sagrado registrou a história de Jesus à sua maneira particular. Mateus refere-se a Jesus usando o título “Filho de Davi” por oito vezes. Marcos usou esse mesmo título apenas por duas vezes. Mateus deu mais ênfase ao cumprimento de profecias, por parte de Jesus; Marcos concentrou a atenção sobre os feitos de Jesus, entre outras diferenças.
Relação entre Mateus, Marcos e Lucas.
Todas as narrativas evangélicas seguem o mesmo padrão básico, no desenvolvimento da história de Cristo. Entretanto, os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas são muito mais parecidos entre si quanto a essa questão, do que o evangelho de João. Eles contam a história da vida de Cristo quase da mesma maneira, algumas vezes usando até mesmo palavras idênticas. Por esse motivo receberam o nome de Evangelhos sinóticos (uma palavra grega que significa “ver junto com”).
Há muitas outras passagens bíblicas que exigem um similar grau de semelhança. Contudo, os evangelhos não são meras cópias uns dos outros, pois transparecem os seguintes fatos, quando o conteúdo dos mesmos é cuidadosamente comparado:
  1. Mateus e Lucas incluem quase todo o material que se acha em Marcos.
  2. Mateus e Lucas compartilham de duzentos versículos que não se encontram em Marcos.
  3. Um terço do volume de Mateus é exclusivamente dele.
  4. Metade de Lucas é exclusivamente dele.
Muitas explicações têm sido propostas como explicação desses fatos. Entretanto, as conclusões abaixo enumeradas parecem ser as mais aceitáveis:
  1. Desde o começo do Cristianismo, houve um conjunto de fatos conhecidos (chamado kerigma) sobre a vida de Cristo. Esse material era a mensagem central proclamada pelos apóstolos (Veja em Atos 2.22,23; 13.23-33 e 1 Coríntios 15.1-11).
  2. O evangelho de Marcos registra esse material básico. Foi escrito por alguém que conhecia pessoalmente os apóstolos e esteve intimamente associado à Igreja desde o começo.
  3. O evangelho de Mateus inclui esse material básico. Mas a isso Mateus acrescentou as notas que ele tomara dos ensinamentos de Jesus, os quais ele arranjou para adaptarem-se ao seu propósito, além de outro material.
  4. O evangelho de Lucas também inclui o material básico. Lucas adicionou considerável acúmulo de outro conteúdo histórico, resultante de suas próprias pesquisas. Parte desse conteúdo consiste em parábolas e milagres não registrados nem por Mateus e nem por Marcos. É possível que Marcos tenha obtido essas informações diretamente das pessoas que tinham ouvido Jesus ensinar e tinham experimentado os seus milagres.
Também devemos lembrar-nos que os autores dos evangelhos foram impulsionados pelo Espírito Santo. As decisões deles acerca do que incluir e como arranjar esse material foram efetuadas sob a Sua orientação. Podemos ter a confiança de que os registros de que dispomos são aqueles que Deus tencionou que tivéssemos.
Mateus e Lucas, ambos, incluem material básico a respeito de Cristo, conforme o registro de Marcos. Cada qual, então, adicionou material resultante de suas próprias pesquisas. Cada escritor sagrado tratou os fatos básicos segundo a sua perspectiva.
Continua no próximo post.  

quarta-feira, abril 26, 2017

Introdução ao Novo Testamento - 11.


Continuação do post anterior.
Perguntas. Por muitas vezes Jesus usou perguntas em Seu ensino. As perguntas feitas por Ele faziam os homens pensar. É que essas indagações iam até o âmago das preocupações e das necessidades dos homens. Por exemplo: “... que dará o homem em recompensa da sua alma?” (Mt 16.26) perguntou Ele aos discípulos. “Pois o que é mais fácil dizer: Perdoados te são os seus pecados, ou: Levanta-te e anda?” (Mateus 9.5). Mas talvez a mais importante de todas as perguntas que Ele fez aos discípulos foi esta: “Mas vocês quem dizeis que eu sou”? (Marcos 8.29).
Jesus não somente fazia perguntas, mas também dava respostas a perguntas que outras pessoas Lhe faziam. Quando Tomé indagou: “Senhor nós não sabemos para onde vais e como podemos saber o caminho? Jesus replicou: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida” (João 14.5,6).
Conteúdo. O ensinamento de Jesus incluía uma grande variedade de assuntos. Contudo, entre eles podem ser encontrados alguns temas principais. Ele ensinava acerca do reino de Deus – sua verdadeira natureza e seus requisitos. Ele ensinava sobre o homem – sua responsabilidade diante de Deus e como ele deve tratar as outras pessoas. E Ele ensinava sobre Ele mesmo – Sua missão, Sua relação ímpar com Deus, Sua morte e ressurreição e Sua segunda vinda.
Em algumas das narrativas do evangelho, os ensinos sobre assuntos semelhantes se encontram agrupados em um lugar. Por exemplo, um grande ensino de Jesus acerca do reino de Deus encontra-se no décimo terceiro capítulo de Mateus. O Seu ensino sobre os eventos futuros e o fim dos tempos se acham quase todo nos trechos de Mateus 24,25; Marcos 13 e Lucas 21.5-38. Talvez Ele tenha feito alusão a algum dos Seus ensinos apenas por uma vez. Também pode ter repetido outros ensinos por diversas vezes, para benefício de diferentes pessoas que O vieram ouvir. Seus ensinos não eram vazados mediante uma maneira formal e sistemática, mas organizavam-se em torno de Sua pessoa. Quem quiser compreender Seus ensinos terá de compreendê-lO.
Efeitos. O ensinamento de Jesus exercia grande impacto sobre seus ouvintes. Quando os principais sacerdotes e os saduceus enviaram guardas para prendê-lO, os guardas voltaram, de mãos vazias. Os líderes religiosos indagaram: “Porque não o truxestes?” E a resposta dos guardas foi: “Nunca homem algum falou assim como esse homem” (João 7.45,46). Quando Jesus terminou o “sermão do monte” (Mateus 5-7), Seus ouvintes estavam admirados, porque ensinava “como tendo autoridade e não como os escribas” (Mateus7.29). Seus ensinamentos silenciavam os Seus adversários (Mateus 22.46), e levavam pecadores a mudar os seus caminhos (Lucas 19.8).
Da mesma maneira como nos dias em que Ele vivia na terra, os ensinos de Jesus atingem os corações das pessoas em nossos dias. Quando considero o que têm acontecido na minha terra, vejo os efeitos positivos dos ensinamentos de Cristo. Pessoas iguais a mim estão sendo transformados por esses ensinamentos. Não posso deixar de me identificar com o autor da epístola dos Hebreus, e dizer: “a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até a divisão da alma e do espírito...” (Hebreus 4.12).
Na verdade, Jesus aparece nas narrativas dos evangelhos como o maior de todos os mestres. Quando estamos ensinando a Sua Palavra, precisamos seguir o Seu exemplo. Precisamos aprender a relacioná-la com as necessidades e preocupações das pessoas. Precisamos aprender a transmiti-la de tal modo que todas as pessoas ao nosso redor possam ouvir e compreender. Precisamos ter a reação que diz: Senhor, ensina-me a servir-Te melhor. Ajuda-me a sentar aos Teus pés e a aprender de Ti, para que por minha vez possa tornar-me aquilo que Tu queres que eu seja; O sal da terra e a luz do mundo”.

Continua no próximo post.

quinta-feira, março 23, 2017

Introdução ao Novo Testamento - 10.


Continuação do post anterior.
Propósito. O propósito de Jesus era revelar Deus e ensinar aos homens verdades sobre as quais pudessem edificar as suas vidas. Ele disse que os Seus ensinamentos provinham do Pai (Veja em João 14.10: “Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras.” - RA). Não se tratava de meras idéias interessantes, de pensamentos esperançosos ou de histórias divertidas. Mas eram as próprias palavras da vida eterna (Veja em João 6.68: “Respondeu-lhe Simão Pedro: Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras da vida eterna” - RA), palavras que permaneciam para sempre (Veja em Marcos 13.31: “Passará o céu e a terra, porém as minhas palavras não passarão” -RA). A pessoa que põe em prática os ensinamentos de Jesus descobre que Sua vida está edificada sobre um sólido alicerce (Veja em Mateus 7.24: “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha”- RA).
Método. Jesus ensinava por toda a parte, sempre que surgia a necessidade. Ele ensinava nas sinagogas (Veja Lucas 4.16: “Indo para Nazaré, onde fora criado entrou, num sábado, na sinagoga, segundo o seu costume, e levantou-se para ler” - RA) e no templo (Veja João 8.2: “ De madrugada, voltou novamente para o templo, e todo o povo ia ter com ele; e, assentado, os ensinava.” - RA). Ele ensinava nas ruas (Veja em Marcos 10.17: “E, pondo-se Jesus a caminho, correu um homem ao seu encontro e, ajoelhando-se, perguntou-lhe: Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” - RA) e em casas particulares (Veja em Lucas 14.1: “ Aconteceu que, ao entrar ele num sábado na casa de um dos principais fariseus para comer pão, eis que o estavam observando.” - RA). O número de ouvintes era um fator importante para Ele. Embora se dirigisse a grandes multidões, não hesitava em dirigir a palavra a algum homem ou mulher em particular. Muitos dos Seus mais importantes ensinamentos foram dirigidos a indivíduos, como no caso de Nicodemos (Veja, na sua Bíblia, em João 3). Jesus ensinava em grande variedade de lugares, para grandes variedades de pessoas. Também usava grande variedade de métodos. Examinaremos agora quatro diferentes desses métodos.
As parábolas. Jesus ensinava muitas verdades por meio de parábolas. Uma parábola é uma ilustração ou história, usualmente extraída dos acontecimentos da vida diária. Como um método de ensino, as parábolas revestem-se de três vantagens: 1) elas podem ser facilmente lembradas, porque os ouvintes podem imaginar os acontecimentos da história enquanto a mesma está sendo narrada; 2) As mensagens espirituais transmitidas por elas são claras até mesmo para os de pouca ou nenhuma cultura; e 3) elas demonstram a preocupação de Jesus com as necessidades de Seus ouvintes.
A maioria das parábolas ensina apenas uma verdade central. A parábola da mulher e da moeda, por exemplo, ilustra a persistência de Deus na busca de uma alma perdida (Veja em Lucas 15.8-10: “Ou qual é a mulher que, tendo dez dracmas, se perder uma, não acende a candeia, varre a casa e a procura diligentemente até encontrá-la? E, tendo-a achado, reúne as amigas e vizinhas, dizendo: Alegrai-vos comigo, porque achei a dracma que eu tinha perdido. Eu vos afirmo que, de igual modo, há júbilo diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” - RA). Algumas delas, contudo, ensinam mais de uma lição. A parábola do filho pródigo ilustra não somente o amor paternal de Deus, mas também o sentido do arrependimento e do pecado da justiça própria e do espírito não-perdoador. (Veja, na sua Bíblia, em Lucas 15.11-32). Em algumas ocasiões, aqueles que ouviam uma parábola podiam tirar as suas próprias conclusões (Veja, na sua Bíblia, em Marcos 12.1-12). Outras vezes Jesus esclarecia a verdade que Ele ilustrava, ao terminar de contar uma parábola (Veja em Mateus 25.1-13). As parábolas de Jesus, entretanto, eram diferentes das parábolas contadas por outras pessoas, porque não podiam ser separadas de Sua pessoa. Aqueles que não O entendiam, também não compreendiam as Suas parábolas. Essa foi uma verdade salientada pelo próprio Jesus (Veja em Marcos 4.11: “Ele lhes respondeu: A vós outros vos é dado conhecer o mistério do reino de Deus; mas, aos de fora, tudo se ensina por meio de parábolas,” - RA) e Mateus 13.13: “Por isso, lhes falo por parábolas; porque, vendo, não vêem; e, ouvindo, não ouvem, nem entendem” - RA).
Declarações curtas. Jesus usava declarações curtas para fixar certas verdades nas mentes de seus ouvintes. Com freqüência essas declarações contrastavam duas idéias. Por exemplo: “... portanto sejam prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mateus 10.16). “Quem achar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a sua vida por amor de mim acha-la-á (Mateus 10.39). ”... Quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (João 11.25). Essas declarações são pensamentos provocadores e inesquecíveis.
Lições objetivas. Jesus também Se utilizava de objetos familiares para ensinar verdades espirituais. De certa feita, fez uma pequena criança sentar-se no meio dos seus discípulos, destacando-a como um exemplo de humildade (Veja em Mateus 18.1-6). Noutra ocasião, Jesus chamou a atenção para certos ricos e para uma pobre viúva, que estavam depositando suas ofertas no gazofilácio. E usou o incidente a fim de ensinar a lição sobre o sentido da verdadeira doação (Veja Lucas 21.1-4: “Estando Jesus a observar, viu os ricos lançarem suas ofertas no gazofilácio. Viu também certa viúva pobre lançar ali duas pequenas moedas; e disse: Verdadeiramente, vos digo que esta viúva pobre deu mais do que todos. Porque todos estes deram como oferta daquilo que lhes sobrava; esta, porém, da sua pobreza deu tudo o que possuía, todo o seu sustento” - RA). Aos pescadores Ele disse: “vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens” (Mateus 4.19). Jesus também disse que as aves do céu e os lírios do campo mostravam o cuidado de Deus pela Sua criação (veja em Mateus 6.26-28: “Observai as aves do céu: não semeiam, não colhem, nem ajuntam em celeiros; contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura, não valeis vós muito mais do que as aves? Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? E por que andais ansiosos quanto ao vestuário? Considerai como crescem os lírios do campo: eles não trabalham, nem fiam” - RA).
Continua no próximo post.




sexta-feira, março 17, 2017

Introdução ao Novo Testamento - 09.


Continuação do post anterior.
Pereia. Quase todos os habitantes de Pereia eram judeus, embora ali também vivessem gentios. Com freqüência, a Pereia é referida nas páginas do Novo Testamento como a terra “além do Jordão”. A caminho de Jerusalém pela última vez, Jesus atravessou essa região ensinando em suas vilas e cidades. (Veja em Marcos 10.1-45; e Mateus 19.1-20.28).
Judéia. No distrito da Judéia estavam localizadas as cidades de Belém, onde Jesus nasceu, e Jerusalém, cenário de muitos dos mais cruciais acontecimentos de Sua vida. Perto de Jerusalém ficava a aldeia de Betânia, lar de Maria, Marta e Lázaro, ao qual Jesus ressuscitou dos mortos (Leia em João 11.1,32-44). Não muitos quilômetros dali ficava Jericó, onde Jesus curou o cego Bartimeu (Leia em Marcos 10.46-52). Durante Seu ministério, Jesus fez diversas viagens à Jerusalém e às aldeias próximas. Esteve presente nas grandes festividades judaicas anuais, celebradas em Jerusalém. Foi em Jerusalém que Jesus foi julgado, crucificado e sepultado (Leia em Lucas 22, 23). Após a Sua ressurreição Jesus apareceu a dois de Seus seguidores, no caminho para Emaús, cerca de onze quilômetros de Jerusalém (Veja em Lucas 24.13-27). Posteriormente, Jesus instruiu Seus discípulos acerca do futuro ministério deles, conduzindo-os na direção de Betânia. Foi então que Ele foi arrebatado para o céu, desaparecendo de diante de suas vistas. E os discípulos retornaram à Jerusalém a fim de esperar pela prometida descida do Espírito Santo (Leia em Lucas 24.36-53).
Os Eventos da Vida de Jesus.
Os eventos da vida de Jesus podem ser divididos em quatro períodos principais: 1) Seu nascimento e preparação para o ministério; 2) Seu ministério terreno e Sua popularidade; 3) Seu ministério posterior e controvérsias; 4) Sua morte, ressurreição e ascensão. Esses períodos principais aparecem na mesma seqüência, em cada narrativa evangélica. Porém, os escritores sagrados dispuseram os incidentes específicos, dentro de cada período, segundo os seus próprios propósitos. Devemos lembrar que o alvo deles não era primariamente fornecer-nos uma narrativa estritamente cronológica, e, sim, retratar com exatidão a pessoa de Jesus.
Os Ensinamentos de Jesus.
Ensinar era um dos aspectos vitais de Sua obra, porquanto Ele veio com a missão de anunciar as boas novas aos pobres e revelar a verdade de Deus a toda a humanidade. Cada página dos evangelhos está assinalada pela presença de Suas advertências, proclamações, exortações e explicações. Consideraremos cinco características de Seu ensino.
A Base. O ensino de Jesus alicerçava-se sobre o Antigo Testamento como a Palavra de Deus, e sobre si mesmo como o unigênito Filho de Deus. Jesus extraía subsídios dos recursos do Antigo Testamento. Também Se colocava em relação aos escritos do Antigo Testamento como Aquele que possuía total autoridade para explicar seu verdadeiro sentido.
Jesus aplicava a si mesmo as profecias e eventos do Antigo Testamento. De acordo com o trecho de Lucas 4.18, Ele leu a descrição sobre a Sua missão no livro do profeta Isaías. Deixou bem claro que viera para cumprir a lei (Leia em Mateus 5.17-20). Quando Jesus falou com Nicodemos, falou-lhe sobre a Sua morte na cruz aludindo-se a certa experiência que os israelitas tiveram no deserto (Veja João 3.14 e Números 21.8,9). Quando os fariseus lhe pediram um sinal, Ele lhes disse que daria o “sinal de Jonas” – dando a entender que Ele ressuscitaria dentre os mortos, três dias depois de ser crucificado (Leia em Mateus 12.39,40). Após a Sua ressurreição, Jesus encontrou-se com dois de Seus discípulos na estrada para Emaús. Enquanto caminhavam, Ele lhes explicava “o que dEle se achava em todas as Escrituras” (Leia em Lucas 24.27).
Jesus também mostrou que Ele estava investido de uma posição de autoridade ímpar no tocante às Escrituras do Antigo Testamento. Por exemplo, Ele disse que era “senhor também do sábado” (Leia em Mateus 2.28). De conformidade com o trecho de Êxodo 31.15, nenhum trabalho deveria ser feito em dia de sábado. No entanto, Jesus declarou que tanto Ele quanto o Pai trabalhavam continuamente, mesmo em dia de sábado (Leia em João 16.17). Jesus curava em dia de sábado e ensinou que era legítimo fazer tal coisa (Leia em Lucas 13.10-17). Jesus também introduziu um padrão de conduta superior àquele que fora revelado no Antigo Testamento (Leia Mateus 5). Esses exemplos mostram que Jesus Se punha na condição de Filho de Deus no tocante não somente às profecias do Antigo Testamento, como também à lei.

Continua no próximo post.

quinta-feira, fevereiro 23, 2017

Introdução ao Novo Testamento- 08;


Continuação do post anterior.
No post anterior vimos algumas das principais características dos relatos dos evangelhos. Ao lê-los, descobrimos que eles fornecem os nomes de muitos lugares associados a vida de Jesus, como a Judéia, a Galiléia, Nazaré, Cafarnaum e Jerusalém. Vamos ver agora os distritos da Palestina onde esses lugares estavam localizados. Também veremos a geografia geral da terra da Palestina. Palestina é o nome dado à área inteira da nação do povo de Israel. Foi nessa terra que Jesus passou a maior parte de Sua vida terrena. Examine um mapa dessa região e note os principais acidentes geográficos ali indicados. Esses tipos geográficos mostram quatro faixas paralelas que correm de norte para o sul: 1) a planície costeira, que se prolonga desde o norte, em Sidom, até Gaza , no sul. 2) a região montanhosa central, que se extende de Dã e Cades, no norte até Berseba, no Sul. 3) o vale do rio Jordão, que começa ao norte do mar da Galiléia, e segue para o sul, até o Mar Morto; e 4) o tabuleiro oriental ou platô da margem oriental do Jordão.
Jesus viveu e ministrou nos distritos da Galilèia, da Samaria e da Judéia, no lado oeste do Rio Jordão, e nos distritos de Decápolis e Pereia, no lado oriental do Rio Jordão. Jesus também esteve nas cidades de Tiro e Sidom, na Fenícia.
Os Distritos da Palestina. Durante os tempos do Novo Testamento, havia vários distritos na terra da Palestina. Esses distritos estavam todos sob a autoridade geral do governo romano.
A Galiléia. Jesus cresceu até a idade adulta na cidade de Nazaré no distrito da Galiléia. Veja em Mateus 2.23: “E foi habitar numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que fora dito por intermédio dos profetas: Ele será chamado Nazareno”. - RA; e em Lucas 2.52: “E desceu com eles para Nazaré; e era-lhes submisso. Sua mãe, porém, guardava todas estas coisas no coração”. - RA. Ele realizou Seu primeiro milagre em Caná da Galiléia. Veja em João 2.11: “Com este, deu Jesus princípio a seus sinais em Caná da Galiléia; manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele”. - RA. Mais tarde, Ele mudou-se para a cidade de Cafarnaum. Veja em Mateus 4.13: “e, deixando Nazaré, foi morar em Cafarnaum, situada à beira-mar, nos confins de Zebulom e Naftali”; - RA. Os judeus mais radicais dos demais distritos da Palestina desprezavam os galileus, porque a Galiléia estava localizada perto das regiões gentílicas da Fenícia e de Decápolis. Entretanto, os galileus eram inteiramente dedicados em sua fé e leais à nação judaica. Jesus passou uma boa parte do Seu ministério em aldeias, vilas e regiões montanhosas desse distrito.
A Fenícia. As cidades de Tiro e Sidom estavam localizadas na Fenícia, uma área costeira a noroeste da Galiléia. Depois que foi rejeitado em Nazaré, Jesus foi para esse distrito. Foi ali que a mulher siro-fenícia veio ao encontro dEle, cuja grande fé Jesus elogiou, e cuja filha Ele curou. Veja em Marcos 7.24-30: “Levantando-se, partiu dali para as terras de Tiro e Sidom. Tendo entrado numa casa, queria que ninguém o soubesse; no entanto, não pôde ocultar-se, porque uma mulher, cuja filhinha estava possessa de espírito imundo, tendo ouvido a respeito dele, veio e prostrou-se-lhe aos pés. Esta mulher era grega, de origem siro-fenícia, e rogava-lhe que expelisse de sua filha o demônio. Mas Jesus lhe disse: Deixa primeiro que se fartem os filhos, porque não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. Ela, porém, lhe respondeu: Sim, Senhor; mas os cachorrinhos, debaixo da mesa, comem das migalhas das crianças. Então, lhe disse: Por causa desta palavra, podes ir; o demônio já saiu de tua filha. Voltando ela para casa, achou a menina sobre a cama, pois o demônio a deixara”.- RA.
Decápolis. A noroeste da Galiléia estavam os distritos de Decápolis e Basã. Decápolis era uma associação de cidades gregas (Decápolis significa 10 cidades), fundadas por Alexandre o Grande. Jesus visitou essa área. Veja Marcos 7.31-35: “De novo, se retirou das terras de Tiro e foi por Sidom até ao mar da Galiléia, através do território de Decápolis. Então, lhe trouxeram um surdo e gago e lhe suplicaram que impusesse as mãos sobre ele. Jesus, tirando-o da multidão, à parte, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e lhe tocou a língua com saliva; depois, erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse: Efatá!, que quer dizer: Abre-te! Abriram-se-lhe os ouvidos, e logo se lhe soltou o empecilho da língua, e falava desembaraçadamente.” - RA. Ele ministrou em Gadara (também chamada Gergesa ou Gerasa), onde curou um endemoniado. Veja em Marcos 5.1-20 e Lucas 8.26-39. Também esteve na cidade de Cesaréia de Filipe. Veja em Mateus 16.13.20.
Samaria. O povo da porção costeira de Samaria era gentio. Entretanto, aqueles que viviam nas regiões montanhosas formavam uma população mista. Eram descendentes das dez tribos do reino do norte, ou Israel, que se tinham misturado por casamento com gentios. Haviam edificado o seu próprio templo no Monte Gerisim. Embora esse templo não mais existisse nos tempos de Jesus, seu sítio era considerado sagrado. Os samaritanos, conforme eram chamados os habitantes de raça mista dessa região, eram desprezados pelos judeus da Palestina. Muitos judeus nem ao menos cruzavam a Samaria em suas viagens. Jesus, entretanto ministrou aos habitantes desse distrito. Em seu notável diálogo com a mulher samaritana, no poço de Sicar, Ele não permitiu que a controvérsia entre os judeus e os samaritanos se tornasse o principal tópico da discussão. Pelo contrário, chamou a atenção para Si mesmo como o Messias. Veja em João 4.1-42.

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terça-feira, janeiro 31, 2017

Introdução ao Novo Testamento - 07.


Continuação do post anterior.
Jesus e os Evangelhos.
Entre os incontáveis livros escritos sobre vidas de homens, não há nenhum que se compare com os quatro evangelhos, pois nunca houve homem como Jesus, cuja história aqueles quatro evangelhos relatam. Os evangelhos são registros fascinantes da Sua vida, repletos de nomes de pessoas e lugares e plenos de descrições de eventos dramáticos e significativos. Chamam a atenção de todos quantos o lêem.
Na sabedoria de Deus, Ele não nos conferiu apenas um relato da vida de Jesus, mas quatro. Mas, qual é o valor de se ter mais de um registro da vida de Cristo? Disso resultam para nós dois benefícios. Primeiro, a variedade de narrativas serve para chamar a atenção de muitos tipos diferentes de pessoas. Quando os evangelhos foram originalmente escritos, cada qual tinha uma característica especial que apelava para certos grupos. Mateus, por exemplo, ressaltava o cumprimento das profecias do Antigo Testamento na vida de Cristo. Essa ênfase fazia os judeus dar um valor especial à narrativa de Mateus. Marcos enfocou o ministério dinâmico e ativo de Jesus, e adicionou pormenores em seu registro que eram interessantes aos leitores romanos. Lucas escreveu o seu registro do ponto de vista de um gentio que recebera profunda compreensão da missão salvífica de Cristo. Os leitores gentios podiam identificar-se com sua perspectiva, enquanto ele narrava a história do progresso e avanço dessa missão. João ao apresentar Cristo como Verbo eterno conquistava a atenção de pessoas meditativas, que estavam buscando respostas para as grandes questões acerca do significado da vida, da história e da eternidade. Desde que foram escritos, os evangelhos têm atraído homens e mulheres de todas as circunstâncias, posições de vida e origem nacional. E assim continuam fazendo até os nossos dias.
Em segundo lugar, a variedade de narrativas serve para ressaltar ainda mais os principais acontecimentos da vida de Jesus. Cada escritor dos evangelhos inclui alguns detalhes e informações que não se encontram nos outros. Essas narrativas em seu conjunto, entretanto, mostram-nos o caráter abrangente da vida e do ministério de Jesus, de Sua morte em favor dos pecadores, e da Sua ressurreição do sepulcro. Desse modo, a mensagem central de Cristo torna-se inequivocamente clara. À semelhança de quatro grandes mestres da pintura, os escritores dos evangelhos nos brindaram com quatro retratos do Filho de Deus. Embora cada obra prima dessas nos apresente seu grande Assunto de um ângulo diferente, em todas elas reconhecemos a mesma face inigualável.
Características principais das quatro narrativas.
Os relatos dos evangelhos são seletivos. Não são listas exclusivas de tudo quanto Jesus disse e fez. Conforme observou João: “Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e, se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem” (João 21.25). Dentre a multidão de eventos ocorridos durante a vida terrena de Cristo, cada autor sagrado, guiado pelo Espírito Santo, escolheu somente certos detalhes para serem incluídos em sua narrativa. Para exemplificar, a infância e a juventude de Jesus são passadas em silêncio, excetuando-se os treze versículos que Lucas devotou à esse período. Veja em Lucas 2.40-52. A semana da Paixão, por outro lado, é descrita com grandes detalhes por todos os quatro escritores. Mateus, Marcos e Lucas incluíram muita matéria em comum. Mas João incluiu muitas coisas que nenhum dos outros três registraram. Todos esses fatos demonstram a seletividade das narrativas dos evangelhos.
As narrativas dos evangelhos também são harmoniosas entre si. Embora cada escritor sagrado tivesse selecionado o seu material, todos eles seguiram o mesmo padrão básico, desdobrando os principais eventos da história. Há a introdução de Jesus em seu ministério público, feita por João Batista. Em seguida, aparecem milagres, ensinamentos e encontros de Jesus com seus discípulos, com indivíduos diversos e com líderes judeus. A maioria dos acontecimentos descritos ocorreu na Galiléia ou em Jerusalém. É retratada a divisão entre aqueles que aceitavam Jesus e aqueles que o rejeitavam. Finalmente há a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Sua detenção, Seu julgamento, Sua crucificação e Sua ressurreição. E em todas essas narrativas há referências a diversas profecias do Antigo Testamento, que se cumpriram na vida de Jesus. Em um sentido bem real, esses não são quatro “evangelhos”, mas um único evangelho – uma história das boas novas sobre o Filho de Deus que veio salvar pecadores.
Continua no próximo post.