sábado, abril 21, 2018


Introdução ao Novo Testamento – 23.
Continuação de post anterior.
Continuação das características especiais do livro de Atos.
3. O livro de Atos demonstra o verdadeiro caráter do Cristianismo. Quando a Igreja foi estabelecida, o cristianismo parecia ser uma seita ou um grupo especial dentro do Judaísmo. Jesus era o Messias prometido pelas Escrituras Judaicas, e no princípio, a Igreja compunha-se primariamente de crentes judeus. Porém, a mensagem de Cristo visava ao mundo inteiro (Veja Lucas 24.47: “e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” - RA). O livro de Atos descreve como o evangelho começou a atingir aqueles que não faziam parte da comunidade judaica.
Pedro, por exemplo, testificou principalmente a judeus. Mas Deus mostrou-lhe que havia aceitado os gentios que cressem em Cristo, e Deus usou Pedro para ministrar aos gentios (Veja em Atos 10). Paulo também pregou aos judeus, mas cada vez mais concentrava a atenção nos gentios, quando a maioria dos judeus rejeitou a sua mensagem (Veja em Atos 19.9,10: “Visto que alguns deles se mostravam empedernidos e descrentes, falando mal do Caminho diante da multidão, Paulo, apartando-se deles, separou os discípulos, passando a discorrer diariamente na escola de Tirano. Durou isto por espaço de dois anos, dando ensejo a que todos os habitantes da Ásia ouvissem a palavra do Senhor, tanto judeus como gregos” - RA; em Atos 26.16-18: “16 Mas levanta-te e firma-te sobre teus pés, porque por isto te apareci, para te constituir ministro e testemunha, tanto das coisas em que me viste como daquelas pelas quais te aparecerei ainda, 17 livrando-te do povo e dos gentios, para os quais eu te envio, 18 para lhes abrires os olhos e os converteres das trevas para a luz e da potestade de Satanás para Deus, a fim de que recebam eles remissão de pecados e herança entre os que são santificados pela fé em mim” - RA) e Atos 28.28: “ Tomai, pois, conhecimento de que esta salvação de Deus foi enviada aos gentios. E eles a ouvirão.” - RA). O livro de Atos mostra como ficou claro que o cristianismo não era uma seita judaica, mas uma forma de viver inteiramente nova, baseada na fé em Jesus como Filho de Deus e Salvador de todos os homens.
Além de mostrar a significação universal do cristianismo, o livro de Atos também defende o cristianismo contra falsas acusações. O livro de Atos dá evidências de que o cristianismo não era um movimento político cujo intuito fosse fazer oposição ao governo romano, conforme alguns, mentirosamente, diziam, Quando os judeus levaram Paulo ao tribunal, diante de Gálio, o proconsul, eles o acusaram de ensinar o povo a desobedecer a lei. Mas Gálio não aceitou o processo, dizendo que a acusação deles não era uma ameaça ao poder político de Roma. Lucas registrou outros incidentes que ilustram a mesma consideração.
4. O livro de Atos descreve o ministério de alguns dos mais proeminentes líderes que Deus usou para estabelecer a Igreja. À medida que crescia a Igreja primitiva, Deus foi levantando líderes que levassem avante o Seu propósito relativo a ela. Lucas falou sobre os ministérios de diversos desses líderes, embora concentrasse sua atenção principalmente em Pedro e Paulo. Na ocasião em que foi escrito o livro de Atos, era necessário mostrar que o apostolado de Paulo era validado pelos mesmos sinais que acompanhavam o ministério de Pedro. Ora, isso era importante porque, diferentemente de Pedro, Paulo não era um dos discípulos originais de Jesus. De fato, ele havia sido um amargo adversário da jovem Igreja (Veja Atos 8.3: “Saulo, porém, assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, encerrava-os no cárcere” - RA; em Atos 9.1-2: “Saulo, respirando ainda ameaças e morte contra os discípulos do Senhor, dirigiu-se ao sumo sacerdote e lhe pediu cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, caso achasse alguns que eram do Caminho, assim homens como mulheres, os levasse presos para Jerusalém” - RA). Lucas fornece bastante informação a respeito de Paulo, demonstrando que seu ministério contava com a aprovação divina. Ela demonstrava as semelhanças que havia entre os ministérios desses dois homens. Por exemplo, Lucas mostrou que ambos os homens ressaltaram a obra do Espírito Santo (Veja Atos 2.38; 19.2-6) e a importância da ressurreição de Cristo (Atos 2.24-36;13.30-37). Lucas também expôs alguns pontos que tornaram semelhantes os ministérios dos dois.
Juntamente com Pedro e Paulo, Lucas mencionou ou descreveu diversos outros líderes como João, Tiago, Felipe, Estevão, Barnabé e Apolo. Cada um desses homens participou dos acontecimentos ocorridos enquanto a Igreja progredia. Todos eles foram usados por Deus para trazer judeus, gentios e samaritanos, prosélitos e até mesmo ex-discípulos de João Batista (Veja Atos 19.1-3) para a nova comunidade espiritual tendo Cristo com seu centro.
Conteúdo.
1. A igreja é fundada (De 1.1 a 8.3) O período de fundação inclui a comissão dos discípulos para o trabalho deles (Atos 1.1-11), a vinda do Espírito Santo para conferir-lhes poder (1.11 a 2.47), os eventos associados à Igreja e ao testemunho do evangelho em Jerusalém (3.1-6.7) e a pregação e o martírio de Estevão com a perseguição resultante e a dispersão dos crentes de Jerusalém (6.8-8.3).
A descida do Espírito Santo, no dia de pentecoste, foi um evento de grande significação. Vinham peregrinos de várias áreas à Jerusalém, para celebrar a festa do pentecoste (Atos 2.5-12). Quando Pedro dirigiu-se a vasta multidão reunida naquele dia festivo, explicando o que acabara de suceder, peregrinos de todas aquelas áreas, estavam presentes entre a multidão. Sem dúvida, alguns deles estavam entre os três mil que responderam ao convite de Pedro.
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quarta-feira, janeiro 10, 2018

Introdução ao Novo Testamento – 22.
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Livro de Atos dos Apóstolos: o registro da Igreja em ação.
O livro de Atos nos mostra como o evangelho triunfou e se propagou a partir de Jerusalém, a capital religiosa do mundo judaico, chegando a Roma a capital política do mundo romano. Enquanto lemos, descobrimos que o Cristo ressurreto é o personagem central dessa história, porque mostra como Ele operava poderosamente através dos seus apóstolos e da Igreja, mediante o poder do Espírito Santo.
Autor, Propósito e Importância. O livro de Atos foi planejado para ser uma seqüência do Evangelho de Lucas. Trata-se da segunda porção da história dos primórdios do cristianismo, escrita por Lucas, companheiro de viagem e amigo chegado do apóstolo Paulo. Lucas foi testemunha ocular de muitos dos eventos descritos no livro de Atos. Sua presença a esses acontecimentos é indicada pelo uso do pronome “nós” (Veja em Atos 16.10: “Logo depois dessa visão, nós resolvemos partir logo para a Macedônia, pois estávamos certos de que Deus nos havia chamado para anunciar o evangelho ao povo dali” - NTLH; em Atos 20.6: “Depois da Festa dos Pães sem Fermento, nós partimos da cidade de Filipos. Cinco dias depois nos encontramos com eles em Trôade e ficamos ali uma semana” – NTLH e em Atos 27.3: “No dia seguinte chegamos ao porto de Sidom. Júlio tratava Paulo com bondade e lhe deu licença para ir ver os seus amigos e receber deles o que precisava” - NTLH, por exemplo). Guiado e inspirado pelo Espírito, ele usou seus dons literários e sua compreensão da história a fim de dar-nos um quadro vívido e exato dos anos iniciais da Igreja.
O Evangelho de Lucas termina com a ordem que Jesus deu aos Seus discípulos sobre terem de esperar pela vinda do Espírito Santo e com a narrativa de Sua ascensão (Lucas 24.49-51). O livro de Atos, por sua vez, começa com esses dois acontecimentos (Atos 1.4-9), e então passa a descrever as atividades dos discípulos, após a ascensão de Cristo. Os eventos descritos no livro de Atos seguem as ocorrências historiadas no evangelho de Lucas de uma maneira natural e lógica. Através do livro de Atos, Lucas continuou a instruir Teófilo na fé cristã, demonstrando-lhe a certeza de coisas em que fora instruído (Veja em Lucas 1.4: “a fim de que o senhor pudesse conhecer toda a verdade sobre os ensinamentos que recebeu”.- NTLH; e em Atos 1.1: “ Prezado Teófilo, No primeiro livro que escrevi, contei tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o começo do seu trabalho” - NTLH).
O livro de Atos é importante porque nos provê um registro autorizado da formação da Igreja e das atividades dos líderes principais. Forma um elo entre os Evangelhos e as Epístolas, pois os Evangelhos contemplam o futuro estabelecido da Igreja, ao passo que as Epístolas partem do pressuposto que a Igreja já existia.
Características Principais. Lucas não tentou descrever tudo quanto ocorreu durante os primeiros dias da Igreja. Como habilidoso historiador, ele selecionou os incidentes mais importantes e significativos e mostrou como os mesmos amoldaram o curso total dos acontecimentos. Veremos as principais características de seu relato.
1. O livro de Atos ressalta a atividade missionária da Igreja. O trecho de Atos 1.8: (“Porém, quando o Espírito Santo descer sobre vocês, vocês receberão poder e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até nos lugares mais distantes da terra.” – NTLH) pode ser usado como um esboço básico do livro inteiro. Resume o progresso do evangelho durante trinta anos após o dia de Pentecoste. A mensagem de Cristo foi pregada primeiramente em Jerusalém (Atos 1-7), e então na Judéia e em Samaria (Atos 8-12); em seguida por toda a região norte do Mediterrâneo, sendo Roma o último local mencionado (Atos 13-28). Em consonância com sua apresentação histórica, Lucas registrou os nomes pessoais de vários oficiais romanos, associados aos eventos por ele historiados (Atos 24-26, por exemplo, onde Félix, Lísias, Pórcio Festo e o rei Agripa são mencionados). Pedro é o líder cristão principal nos capítulos 1 a 12, e Paulo, nos capítulos 13 a 28.
No livro de Atos vemos como os primeiros crentes reagiram aos mandamentos de Cristo para evangelizar o mundo. Ele mostra-nos seus problemas, bem como os seus triunfos. Também nos dá um exemplo prático de métodos missionários que podem ser seguidos hoje em dia na obra missionária.
2. O livro de Atos retrata a obra do Espírito Santo. O Espírito Santo estava envolvido em cada fase do estabelecimento e da expansão da Igreja. Outras verdades acerca do Espírito Santo podem ser vistas no livro de Atos. Notemos, por exemplo, o julgamento contra Ananias e Safira, por haverem mentido ao Espirilo Santo (Atos 5.1-11). Consideremos a reprimenda a Simão por haver tentado comprar o dom do Espírito Santo (Atos 8.18-23).
O livro de Atos dá evidências da realidade e da presença do Espírito Santo. Mostra que a Igreja é uma realização sobrenatural de Deus, tendo sido trazida à existência, e sido capacitada, guiada e sustentada pelo próprio Espírito de Deus. Não há outra explicação para o seu sucesso e persistência, em meio às severas perseguições e oposições às quais foi sujeitada.

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terça-feira, dezembro 19, 2017

Introdução ao Novo Testamento - 21.


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Características Especiais. O Evangelho de João tem muitas características especiais. Dentre essas, examinaremos três que são as mais notáveis: sua relação com os Evangelhos sinóticos, seu vocabulário e seu ponto de vista distinto de Cristo.
Relação com os sinóticos. Ao compararmos o Evangelho de João com os evangelhos sinóticos, ficamos impressionados com o contraste. Apesar das distinções existentes entre eles, os três Evangelhos sinóticos ainda se parecem muito mais entre si do que qualquer deles se assemelha com o Evangelho de João. Por exemplo, o ministério de Jesus na Galiléia geralmente ocupa o maior volume dos evangelhos sinóticos. Porém, o ministério de Jesus na Judéia recebe atenção quase exclusiva da parte de João. Com a exceção dos dois milagres registrados em João 6.1-24 e a narrativa do julgamento, da morte e da ressurreição de Jesus, o conteúdo do Evangelho de João não aparece nos outros Evangelhos.
Porém, apesar desses contrastes, há alguns elos importantes entre João e os sinóticos. Apesar de que a maior parte do material de João é diferente do material dos Evangelhos sinóticos, nada desse material se contradiz. Pelo contrário, geralmente suplementa e provê o pano-de-fundo dos eventos que descrevem. Por exemplo, mediante um estudo de Mateus, Marcos e Lucas, devemos concluir que o ministério de Jesus durou um pouco mais de um ano. Mas João menciona três festas da Páscoa, festividades essas que ocorriam apenas uma vez em cada ano. Assim, sabemos que o ministério de Jesus ocupou, pelo menos, três anos. A informação dada por João, pois, ilumina o ponto de vista sinótico da vida de Jesus, fazendo-o ainda de outras maneiras.
Temos verificado que João tinha um certo alvo em mente, ao escrever sua narrativa. É possível que quando ele escreveu o seu Evangelho, os três evangelhos sinóticos já estivessem em circulação entre os cristãos da época. Sem se importar se isso foi assim ou não, o fato é que ele não os duplicou. Conforme o Espírito Santo o orientou, ele se valeu de sua larga e rica experiência como o discípulo a quem Jesus amava, e apresentou a sua percepção ímpar de Cristo e de Sua missão. Hoje em dia, beneficiamo-nos com os profundos discernimentos e com as verdades que Deus lhe deu para ele compartilhá-los conosco.
Vocabulário. Certos termos são usados com maior freqüência no Evangelho de João do que nos Evangelhos sinóticos. Entre esses alistamos os seguintes: permanecer, crer, festa, judeus, luz, vida e viver, amor e amar, verdade e verdadeiro, testemunha e mundo. Esses termos têm sentidos especiais. Precisam ser cuidadosamente estudados, pois com freqüência provêem a chave para os pensamentos expressos por João.
Ponto de vista distinto de Cristo. Todos os quatro Evangelhos apresentam Cristo como o Filho de Deus. Porém, foi João quem declarou o fato mediante a linguagem mais franca, dizendo que Jesus é Deus e sempre existiu (João 1.1,14; 8.58; 17.5). João começou a sua narrativa não à parte do começo, mas no começo. Para João, Belém e a manjedoura não assinalou o começo da existência de Cristo, mas apenas o tempo em que Ele se tornou “carne”.
O evangelho de João também revela outra verdade acerca da vontade de Cristo. João percebeu que Ele era o Verbo. Entre os escritores bíblicos, João foi o único a usar esse termo em alusão a Jesus. Conforme seus leitores o entendiam, a palavra verbo tinha diversas associações. No seu uso ordinário, salientava os meios mediantes os quais os homens se comunicam uns com os outros. Para os judeus “o Verbo de Deus” ou “a Palavra de Deus”, era uma expressão familiar, encontrada no Antigo Testamento (Salmo 33.6, como um exemplo). Alguns dentre os judeus aplicavam essa expressão ao Messias que viria. Para os gregos, porém, significava a manifestação da razão divina. João falou de todos esses significados quando asseverou ousadamente que Jesus era o Verbo de Deus. Dessa maneira, mostrou, tanto para os gregos quanto para judeus, que Jesus era Deus comunicando-se com os homens, como a plena expressão de Sua razão, vontade e propósito, feita de um modo que o homem fosse capaz de entendê-los.

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sábado, novembro 11, 2017

Introdução ao Novo Testamento – 20.
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João: Evangelho do Filho de Deus.
Para muitos o Evangelho de João é o livro preferido das Escrituras. Reveste-se de uma qualidade única de profundeza e beleza espiritual; Sua mensagem arrebata a imaginação e desafia o coração de maneira corajosa e desafiadora. Foi escrito pelo apóstolo João, “o discípulo a quem Jesus amava”, e põe o leitor em íntima comunhão com o Mestre, tal como experimentaram aqueles que andaram mais próximos do Senhor. Quando estudarmos as verdades ali apresentadas, que nossa comunhão com Jesus se torne ainda mais íntima e rica, como resultado.
Autor. A maioria dos eruditos da Bíblia concorda que João, o apóstolo, foi autor do quarto Evangelho. Ele foi um dos doze discípulos de Jesus. Juntamente com Pedro e Tiago, ele fazia parte do “círculo íntimo” dos mais chegados associados do Senhor (Veja Marcos 5.37; 9.2; e 14.33). Ele era “aquele a quem Jesus amava” (Veja em João 13.23; 19.26; 20.2; e 21.7,20). Tiago era irmão de João, e ambos eram filhos de Zebedeu (Mateus 5.21). João foi testemunha ocular dos acontecimentos por ele registrados (Veja João 1.14; 19.35; e 21.24).
Ênfase. O próprio João declarou claramente o propósito que tivera ao escrever o relato da vida de Jesus Cristo: “Jesus, pois, operou também, em presença de seus discípulos, muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creias que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (João 20.30,31).
Vemos, então, que João selecionou cuidadosamente a sua matéria com um alvo específico em mente: levar as pessoas a crerem que Jesus é o Filho de Deus. A matéria escolhida por João enfatizava as obras e as palavras de Deus. Juntos, esses fatores formam evidências convincentes de que Jesus era aquilo que afirmava ser. João também mostrou como o povo reagiu a Jesus Cristo. A reação deles ilustra o seu tema central da fé.
João dava atenção às obras realizadas por Jesus. As narrativas de sete milagres estão incluídas em seu Evangelho. João denominou esses milagres de sinais, pois mostram coletivamente a completa autoridade de Jesus como o Filho de Deus, salientando inequivocamente a Sua deidade.
Além desses sete sinais, há mais um, o maior de todos: a ressurreição de Jesus dentre os mortos (João 20 e 21). Nas palavras do apóstolo Paulo, Jesus foi “... designado Filho de Deus em poder... pela ressurreição dos mortos...” (Romanos 1.4). Esse acontecimento foi a prova coroadora de que Jesus é o Filho de Deus.
João também salientou as palavras de Jesus. A maioria dos discursos por ele registrados compõe-se de aspectos de Sua pessoa. Destacados pelo próprio Jesus. Entre esses estão as sete grandes passagens do “eu sou”, que são as seguintes:
1. “Eu sou o pão da vida” - João 6.35.
2. “Eu sou a luz do mundo” - João 8,12 e 9.5.
3. “Antes que Abraão existisse, eu sou” – João 8.58.
4. “Eu sou o bom pastor” – João 10.11.
5. “Eu sou a ressurreição e a vida” – João 11.25.
6. “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida” – João 14.6.
7. “Eu sou a videira verdadeira” – João 15.1.
Muitos eruditos da Bíblia encaram essas declarações de Jesus como expansões do trecho de Êxodo 3.14, onde Deus diz a Moisés que Seu nome era “Eu sou”. Elas mostram não somente a deidade de Cristo (João 8.58), mas também mostram como Ele revelou o Pai.
Além dessas passagens, João incluiu muitos outros ensinamentos importantes, como aqueles a respeito do novo nascimento (João 3), a água viva (João 4), a autoridade do Filho (João 5) e a obra do Espírito Santo (João 7.14,16). Ele também registrou a oração de Jesus acerca de si mesmo e de Seus discípulos (João 17). Essa oração ilumina ainda mais a sua natureza, a Sua unidade com o Pai, e o Seu propósito eterno para todos aqueles que nEle confiarem.
Juntamente com essa ênfase sobre as palavras e as obras de Jesus, João pôs em destaque as entrevistas pessoais de Jesus com diversas pessoas, homens e mulheres. João mostrou como Jesus os desafiou para crerem nEle. Essas entrevistas relatadas por João são vívidas ilustrações do tema principal do Evangelho de João – a fé em Jesus Cristo.
Quando alguém examina o registro de João sobre as palavras, as obras e as entrevistas pessoais de Jesus, não pode ter dúvidas sobre a razão de ele ter escrito o seu testemunho: expor a verdade que a fé em Jesus, o Filho de Deus, é a única e essencial chave da própria vida (João 3.36).

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segunda-feira, outubro 09, 2017

Introdução ao Novo Testamento - 19.


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Continuação do Evangelho de Lucas.
Conteúdo. A seqüência de eventos, em Lucas, segue o padrão geral daquilo que aparece nos Evangelhos de Mateus e de Marcos. Também há considerável quantidade de material que só Lucas inclui. O alvo principal de Lucas foi apresentar Jesus como o homem perfeito, impulsionado pelo Espírito, Salvador de todos os homens. Seu Evangelho, entre os sinóticos, é o único onde o título específico, Salvador”, é usado para indicar Jesus (v. 2.11). O conteúdo desse Evangelho pode ser dividido em:
  1. O Salvador é preparado (Lucas 1.1 a 4.13).
  2. O Salvador ministra (Lucas 4.14 a 9.17).
  3. O Salvador entra em conflito (Lucas 9.18 a 19.28). Quase o conteúdo inteiro desta seção pertence exclusivamente a Lucas. Especificamente, a maior parte da matéria contida no trecho 9.51 a 18.14 e 19.1 a 19.28 se encontra apenas no terceiro Evangelho.
  4. O Salvador ganha a nossa Salvação (Lucas 19.29 a 24.53). Quando lemos o registro da vinda de Jesus, lindamente escrito por Lucas, vemos que Ele cumpriu a missão que Ele mesmo anunciou em 4.18,19. Vemos como o Espírito do Senhor desceu sobre Ele. Vemos como Ele pregou as Boas Novas aos pobres, anunciando a liberdade aos presos, restaurando a vista aos cegos, libertando os oprimidos e proclamando o ano do favor divino. Quão extraordinário Salvador!
Lucas pertence provavelmente à terceira geração cristã. O tempo e o lugar da sua atividade literária são incertos; provavelmente os anos 90, talvez na Ásia Menor. Exclui-se que o autor das duas obras lucanas seja testemunha ocular dos fatos narrados. Ele mesmo apela em Lucas 1.2 para “os que desde o começo foram testemunhas oculares e ministros da palavra“, isto é, para a tradição apostólica. Estas palavras se referem, antes de tudo, a tradição sobre Jesus, portanto ao conteúdo do Evangelho de Lucas.
O que Lucas escreve não é nenhum segredo, reservado aos que crêem; ao contrário, é acessível, mesmo aqueles que são alheios à tradição cristã e à exposição lucana, creiam ou não. Trata-se, com efeito, de fatos que “entre nós se realizaram” (Veja Lucas 1.1), logo de pleno domínio público. O pregador pode, portanto, supor que os ouvintes saibam de que se trata (Veja Lucas 24.18). Lucas luta por uma interpretação de acordo com a verdade, em comparação com a qual as falsas idéias, que devem ser rejeitadas, são “ignorância” (Veja Lucas 23.34). Consolidação e difusão da fé são as coisas mais importantes para o teólogo e historiador Lucas.
A forma expositiva lucana adota, portanto, uma posição intermediária entre pregação e informação. Isso se verifica especialmente quando se trata do conteúdo fundamental da pregação, isto é, da morte e da ressurreição de Jesus. Lucas quer mostrar que, apesar da Sua paixão e morte, Jesus é o Cristo porque Deus o ressuscitou. Esse argumento vale para os judeus, que se recusam a ver em Jesus, o Cristo, alegando que o Messias não morre e que, por isso, o Jesus crucificado não pode ser o Messias. Lucas tenta provar-lhes que o erro desta idéia foi demonstrado pela ressurreição de Jesus.
Lucas se compraz em salientar que os “pobres”, no sentido literal, sem a qualificação teológica de “pobres de espírito”, de Mateus (Veja Mateus 5.3), são os destinatários privilegiados da Boa nova (Veja Lucas 4.18; 7.22). Uma das bem-aventuranças de Jesus é endereçada precisamente aos pobres (Veja Lucas 6.20; 16.19-31).
Lucas não desenvolve nenhum modelo de vida cristã, na suposição de que cada época traga as suas próprias exigências. O caminho que leva ao reino de Deus passa pelas tribulações (Veja Atos 14.22). Pelo nome de Jesus o cristão deve estar pronto para aceitar em todas as circunstâncias as exigências da sua adesão a Cristo, até ao sacrifício da própria vida (Veja Lucas 9.23). Lucas procura, portanto, constantemente chamar a atenção do cristão para a responsabilidade que decorre para ele da sua situação pessoal.

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sábado, setembro 30, 2017

Introdução ao Novo Testamento – 18.
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Evangelho de Lucas, continuação.
Características Especiais. Além dos aspectos da vida de Jesus que Lucas ressaltou, há muitas características especiais em sua narrativa. Para exemplificar, ele dá atenção ao papel desempenhado por certos grupos de pessoas, como mulheres, crianças e os pobres. Também, as palavras utilizadas e os detalhes incluídos demonstram que o autor estava familiarizado com a profissão médica. Lucas é o mais literário dos quatro evangelhos: contém diversas belas canções e poemas, e conta com um rico vocabulário. Suas páginas também revelam um interesse pala importância universal da mensagem de Cristo e da obra do Espírito Santo. Todas essas características emprestam ao evangelho de Lucas um valor todo especial. Examinemos alguns aspectos dessas características:
O Papel das mulheres, crianças e pobres. Com freqüência, Lucas apresentou uma descrição mais completa das mulheres e das crianças envolvidas na vida e no ministério de Jesus. Em sua narrativa, Lucas também registrou várias histórias curtas e parábolas que abordam especificamente a pobreza e a riqueza; e a maioria dessas breves narrativas não aparece nos outros Evangelhos.
As parábolas sobre a pobreza e a riqueza aparecem exclusivamente no Evangelho de Lucas, incluindo aquela notável sobre o rico insensato (veja em Lucas 12.13-34). Quão vividamente essa história nos ensina quão importante é compreender quais são as verdadeiras riquezas!
A Perspectiva de um médico. Muitos eruditos da Bíblia acham que o Evangelho de Lucas oferece evidências de que foi escrito por um médico. A narrativa de Lucas com freqüência demonstra maior interesse pelos enfermos do que se vê nas narrativas de Marcos e Mateus. Notemos, por exemplo, a mais completa narrativa dada por Lucas, em contraste com Marcos, das doenças ou enfermidades curadas por Jesus nos exemplos abaixo:
  • Marcos 1.30: “acamada com febre”; Lucas 4.38: “enferma com febre muito alta”.
  • Marcos 1.40: “era um leproso”; Lucas 5.12: “um homem coberto de lepra”.
  • Marcos 3.1: “um homem que tinha uma das mãos mirradas”; Lucas 6.6: “Um homem cuja mão direita estava mirrada”.
  • Marcos 14.47: “cortou-lhe a orelha”; Lucas 22.50,51: “cortou-lhe a orelha direita”. Só Lucas acrescenta que Jesus tocou a orelha cortada e a curou.
Ponto de vista universal. O Evangelho de Lucas mostra que ele queria deixar claro para o mundo a importância universal da vida e da obra de Jesus. Em seus escritos, Jesus é revelado não somente como figura viva da história judaica, mas também como o Salvador de todos os homens. Por muitas vezes Seus milagres e ensinos visavam apenas às pessoas de nações gentílicas.
A Obra do Espírito Santo. Entre os três Evangelhos sinóticos, Lucas é o que tem maior número de referências à atuação do Espírito Santo. Ele havia mostrado como o Espírito Santo esteve envolvido em cada aspecto da vida de Cristo. Também observou características do seu ministério na vida de outras pessoas importantes.
Beleza literária. Lucas incluiu quatro magníficos cânticos ou poemas em seu Evangelho. São os cânticos de Maria (1.46-55), de Zacarias (1.67-79), dos anjos (2.14), e a oração de Simeão (2.29-32). Cada um é uma obra prima de expressão e louvor. Emprestam ao Evangelho de Lucas uma beleza toda especial. Além disso, a habilidade literária de Lucas é vista pela maneira como ele escreveu sobre os eventos da vida do Mestre e expressou as parábolas e os ensinos que Jesus deu. Notemos, por exemplo, as vívidas descrições do filho pródigo e de seu invejoso irmão (15.11-32) e do pomposo fariseu e do penitente publicano (18.9-14). O habilidoso registro desse ensino de Jesus faz os personagens adquirirem vida diante de nós.
A capacidade de Lucas para narrar os eventos não é menos impressionante. Quão profundamente comovidos e animados sentimo-nos quando lemos sua simples descrição do aparecimento de Jesus aos Seus abatidos discípulos, na estrada para Emaús (24.13-32)! Verdadeiramente, Lucas era um artista no uso das palavras, e nós é que nos beneficiamos de seu talento.

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sexta-feira, setembro 15, 2017

Introdução ao Novo Testamento – 17.

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Lucas: O Evangelho do Salvador.
O Evangelho de Lucas foi escrito pelo homem a quem o apóstolo Paulo chamou de “o médico amado” (Veja em Colossences 4.14: “Saúda-vos Lucas, o médico amado, e também Demas” - RA). O próprio Lucas descreveu o seu Evangelho. Ele disse que era um livro que relatava “acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar, até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera”. (Atos 1.1,2). Quando examinamos o Evangelho que traz o nome de Lucas, ficamos mais familiarizados com o Salvador a quem amamos e servimos, e acerca de quem Lucas escreveu com tão grande eloqüência.
Autor. Com base nas evidências que nos são fornecidas pelo Novo Testamento, podemos concluir que Lucas era um gentio muito instruído. Era homem bem versado no conhecimento médico de seus dias. É provável que ele fosse natural de Antioquia. Lucas também escreveu o Livro de Atos, no qual registrou os eventos que acompanham a formação e a expansão da Igreja. Por essa razão, o evangelho que ele escreveu pode ser mais exatamente descrito como a primeira parte da narrativa em dois volumes à respeito dos começos do Cristianismo (a segunda parte é o Livro de Atos). Era amigo chegado do apóstolo Paulo e esteve com ele em diversas viagens missionárias, inclusive a última que levou Paulo até Roma.
Ênfase. Ao escrever o seu relato sobre a vida de Jesus, Lucas ressaltou seus aspectos humanos, históricos e teológicos. A humanidade de Jesus é um importante fato que Lucas expôs. Muitos estudiosos da Bíblia têm descrito o Evangelho de Lucas como o Evangelho da humanidade de Jesus. Lucas mostrou que Jesus foi um de nós, e que compartilhou plenamente das experiências comuns da vida humana.
Lucas também frisou a natureza histórica da vida de Cristo. Ele fez um cuidadoso exame de todos os fatos importantes, sobre os quais registrou uma narrativa exata (Veja v. 1.3: “igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem” - RA). Lucas referiu-se a acontecimentos específicos que se sucederam na Palestina, no tempo do nascimento de Jesus (Veja v. 2.1-3: “Naqueles dias, foi publicado um decreto de César Augusto, convocando toda a população do império para recensear-se. Este, o primeiro recenseamento, foi feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam alistar-se, cada um à sua própria cidade” - RA). Também deu os nomes dos governantes e sumos sacerdotes que estavam no poder quando João Batista começou o seu ministério (Veja v. 3.1-3: “No décimo quinto ano do reinado de Tibério César, sendo Pôncio Pilatos governador da Judéia, Herodes, tetrarca da Galiléia, seu irmão Filipe, tetrarca da região da Ituréia e Traconites, e Lisânias, tetrarca de Abilene, sendo sumos sacerdotes Anás e Caifás, veio a palavra de Deus a João, filho de Zacarias, no deserto. Ele percorreu toda a circunvizinhança do Jordão, pregando batismo de arrependimento para remissão de pecados” - RA). Esses pormenores tornam possível relacionar a vida de Jesus com uma determinada época, dentro da história política da região. Tais detalhes estabeleceram o fato de que Jesus era uma personagem histórica, um homem que efetuou a Sua missão em meio a circunstâncias perfeitamente reais, em meio ao turbilhão da Palestina do primeiro século da era cristã.
Além disso, Lucas iluminou certos aspectos teológicos do ministério de Jesus. Esses tinham a ver com a identidade de Jesus e com o sentido da Sua obra de salvação. Por exemplo, Lucas registrou que Jesus com freqüência referiu-se a Si mesmo usando o título de “Filho do homem”. Essa expressão foi o nome dado pelo profeta Daniel à pessoa que ele viu em uma visão, conforme está escrito em Daniel 7.13,14. Para Daniel, isso queria dizer que aquele que ele vira se parecia com um homem, era membro da raça humana.
Ao aplicar a si mesmo o nome “Filho do homem”, Jesus identificou-se com a pessoa a quem Daniel viu em sua visão profética. Porém, Jesus fez mais do que isso. Disse que o Filho do homem haveria de sofrer, morrer e ressuscitar (Veja Lucas 9.22: “dizendo: É necessário que o Filho do Homem sofra muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas; seja morto e, no terceiro dia, ressuscite” - RA). Essa foi uma declaração que os discípulos não puderam entender, pois mostrava que o Filho do Homem, que viria em grande poder e glória, antes disso seria rejeitado.
Além de salientar a identidade de Jesus como Filho do homem, Lucas também frisou Sua obra de salvação e Seu papel como redentor. Ele registrou o fato que a profetisa Ana falou a respeito do menino Jesus a todos quantos esperavam a redenção de Jerusalém (Veja Lucas 2.38: “E, chegando naquela hora, dava graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém” - RA). Lucas narrou como alguns discípulos, na estrada para Emaús, disseram que eles haviam esperado que Jesus fosse aquele que remiria a Israel (v. 24.21).
O processo da redenção foi estabelecido por Deus e era bem conhecido entre os judeus. Significava que alguma coisa (ou alguém), que fosse vendido poderia ser adquirido de volta mediante um parente próximo daquele que vendera tal coisa. Dessa maneira, pois, poderia ser restaurada ao seu proprietário inicial. (O livro de Rute, no Antigo Testamento, é uma linda ilustração desse processo). Um redentor tinha de ser parente próximo, daquele que precisasse de ajuda.

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