terça-feira, janeiro 31, 2017

Introdução ao Novo Testamento - 07.


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Jesus e os Evangelhos.
Entre os incontáveis livros escritos sobre vidas de homens, não há nenhum que se compare com os quatro evangelhos, pois nunca houve homem como Jesus, cuja história aqueles quatro evangelhos relatam. Os evangelhos são registros fascinantes da Sua vida, repletos de nomes de pessoas e lugares e plenos de descrições de eventos dramáticos e significativos. Chamam a atenção de todos quantos o lêem.
Na sabedoria de Deus, Ele não nos conferiu apenas um relato da vida de Jesus, mas quatro. Mas, qual é o valor de se ter mais de um registro da vida de Cristo? Disso resultam para nós dois benefícios. Primeiro, a variedade de narrativas serve para chamar a atenção de muitos tipos diferentes de pessoas. Quando os evangelhos foram originalmente escritos, cada qual tinha uma característica especial que apelava para certos grupos. Mateus, por exemplo, ressaltava o cumprimento das profecias do Antigo Testamento na vida de Cristo. Essa ênfase fazia os judeus dar um valor especial à narrativa de Mateus. Marcos enfocou o ministério dinâmico e ativo de Jesus, e adicionou pormenores em seu registro que eram interessantes aos leitores romanos. Lucas escreveu o seu registro do ponto de vista de um gentio que recebera profunda compreensão da missão salvífica de Cristo. Os leitores gentios podiam identificar-se com sua perspectiva, enquanto ele narrava a história do progresso e avanço dessa missão. João ao apresentar Cristo como Verbo eterno conquistava a atenção de pessoas meditativas, que estavam buscando respostas para as grandes questões acerca do significado da vida, da história e da eternidade. Desde que foram escritos, os evangelhos têm atraído homens e mulheres de todas as circunstâncias, posições de vida e origem nacional. E assim continuam fazendo até os nossos dias.
Em segundo lugar, a variedade de narrativas serve para ressaltar ainda mais os principais acontecimentos da vida de Jesus. Cada escritor dos evangelhos inclui alguns detalhes e informações que não se encontram nos outros. Essas narrativas em seu conjunto, entretanto, mostram-nos o caráter abrangente da vida e do ministério de Jesus, de Sua morte em favor dos pecadores, e da Sua ressurreição do sepulcro. Desse modo, a mensagem central de Cristo torna-se inequivocamente clara. À semelhança de quatro grandes mestres da pintura, os escritores dos evangelhos nos brindaram com quatro retratos do Filho de Deus. Embora cada obra prima dessas nos apresente seu grande Assunto de um ângulo diferente, em todas elas reconhecemos a mesma face inigualável.
Características principais das quatro narrativas.
Os relatos dos evangelhos são seletivos. Não são listas exclusivas de tudo quanto Jesus disse e fez. Conforme observou João: “Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e, se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem” (João 21.25). Dentre a multidão de eventos ocorridos durante a vida terrena de Cristo, cada autor sagrado, guiado pelo Espírito Santo, escolheu somente certos detalhes para serem incluídos em sua narrativa. Para exemplificar, a infância e a juventude de Jesus são passadas em silêncio, excetuando-se os treze versículos que Lucas devotou à esse período. Veja em Lucas 2.40-52. A semana da Paixão, por outro lado, é descrita com grandes detalhes por todos os quatro escritores. Mateus, Marcos e Lucas incluíram muita matéria em comum. Mas João incluiu muitas coisas que nenhum dos outros três registraram. Todos esses fatos demonstram a seletividade das narrativas dos evangelhos.
As narrativas dos evangelhos também são harmoniosas entre si. Embora cada escritor sagrado tivesse selecionado o seu material, todos eles seguiram o mesmo padrão básico, desdobrando os principais eventos da história. Há a introdução de Jesus em seu ministério público, feita por João Batista. Em seguida, aparecem milagres, ensinamentos e encontros de Jesus com seus discípulos, com indivíduos diversos e com líderes judeus. A maioria dos acontecimentos descritos ocorreu na Galiléia ou em Jerusalém. É retratada a divisão entre aqueles que aceitavam Jesus e aqueles que o rejeitavam. Finalmente há a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Sua detenção, Seu julgamento, Sua crucificação e Sua ressurreição. E em todas essas narrativas há referências a diversas profecias do Antigo Testamento, que se cumpriram na vida de Jesus. Em um sentido bem real, esses não são quatro “evangelhos”, mas um único evangelho – uma história das boas novas sobre o Filho de Deus que veio salvar pecadores.
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quarta-feira, janeiro 04, 2017

Introdução ao Novo Testamento - 06


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Os Livros Pessoais. Além dos livros doutrinários e históricos, há outros que melhor poderiam ser descritos como pessoais. Esses livros foram cartas endereçadas a crentes individuais, e não a grupos de crentes. São as seis epístolas de 1 e 2 Timóteo, Tito, Filemon e 2 e 3 João. Embora fossem escritas para homens que eram líderes da Igreja, revestem-se de importância para a comunidade cristã inteira de todos os séculos. Contêm diretrizes para a seleção de líderes eclesiásticos, instruções sobre o governo das igrejas, conselhos pessoais para aqueles a quem essas epístolas foram dirigidas, além de solicitações e comentários.
O Livro Profético. De modo geral, os livros proféticos da Bíblia são aqueles nos quais Deus nos tem falado sobre eventos tanto presentes como futuros. Assim sendo, os escritos proféticos têm dois propósitos principais: 1) transmitir ao povo uma mensagem sobre sua presente situação, e como deveriam reagir diante dessa situação; e 2) revelar eventos futuros e o plano de Deus acerca do mundo. Embora quase todos os livros do Novo Testamento envolvam alguma profecia, o livro de Apocalipse dedica-se inteiramente a questões proféticas.
O livro de Apocalipse encerra uma mensagem para as sete igrejas da Ásia, para as quais o mesmo foi escrito. Também descreve o destino final do povo de Deus, de satanás e seus seguidores e dos céus e da terra. Mostra-nos que Cristo, o Cordeiro que foi morto, saiu-se totalmente vitorioso. Trata-se de um exemplo do tipo especial de escrito profético denominado apocalíptico. Isso significa que a sua mensagem revela verdades mediante o emprego de símbolos e de vívidos quadros falados. Por exemplo, as sete igrejas da Ásia são retratadas como candeeiros. Veja Apocalipse 1.12,20: “Voltei-me para ver quem falava comigo e, voltado, vi sete candeeiros de ouro; quanto ao mistério das sete estrelas que viste na minha mão direita e aos sete candeeiros de ouro, as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas”; ao passo que satanás é retratado como um dragão. Veja Apocalipse 12.7-9: “Houve peleja no céu. Miguel e os seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos; todavia, não prevaleceram; nem mais se achou no céu o lugar deles. E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e, com ele, os seus anjos.”.
Autores dos livros.
Os livros do Novo Testamento foram escritos por oito (ou talvez nove) homens: Mateus, Pedro, João, Marcos, Judas, Tiago, Lucas. Paulo e o escritor da epístola aos Hebreus (alguns estudiosos da Bíblia acreditam que Paulo escreveu a epístola aos Hebreus). Dentre esses homens todos eram judeus com exceção de Lucas. Mateus, Pedro e João eram membros do grupo original dos doze discípulos de Jesus. Marcos, Judas e Tiago estavam associados aos discípulos, e faziam parte da primeira igreja, em Jerusalém. Lucas e Paulo conheciam pessoalmente alguns que tinham sido testemunhas da vida e do ministério terrenos de Jesus.
Cronologia dos livros.
No Novo Testamento os livros são agrupados de acordo com o conteúdo dos mesmos. Em outras palavras, os livros históricos aparecem em primeiro lugar, os livros doutrinários e especiais aparecem em seguida, e o livro profético aparece em último lugar. Entretanto não estudaremos os livros segundo essa ordem, e, sim, em sua seqüência cronológica. Isso significa que nós os estudaremos de acordo com os anos específicos da história que eles abordam. Esse modo de proceder nos ajudará a obter o conhecimento dos eventos que ocorrem em seu arcabouço histórico.
Os acontecimentos históricos mencionados nos escritos do Novo Testamento aconteceram dentro de um espaço de aproximadamente cem anos, desde 6 a.C. até 95 d.C. Esse período de tempo pode ser dividido em três períodos: 1) a vida e o ministério de Jesus; 2) o começo e o desenvolvimento da Igreja; e 3) o contínuo crescimento da Igreja e a perseguição contra ela.

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quarta-feira, dezembro 21, 2016

Introdução ao Novo Testamento - 05


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Deus se revelou ao povo judeu. Como resultado da diáspora, muitos não-judeus se tinham convertido ao judaísmo, e o judaísmo se generalizara. Entretanto, parece que nos tempos do Novo Testamento o judaísmo estava sendo dominado por uma atitude crescente estreita e racista. Como prova disso basta que pesquisemos o Novo Testamento, observando as atitudes demonstradas pelos líderes judeus, descritas ali; pois parece que sua política e seus negócios tinham começado a absorver quase toda a atenção deles.
Enquanto os judeus andavam ocupados com seus interesses, outras religiões também reivindicavam a lealdade de homens e mulheres. Muitas pessoas seguem religiões do Oriente, do Egito e da Ásia Menos. Outras se envolviam com as religiões misteriosas dos gregos que enfatizavam as idéias da ressurreição e da purificação. Ainda outras seguiam cultos dedicados a divindades e espíritos associados a determinados lugares e ocupações. Também havia a religião romana oficial, em que as estátuas dos imperadores de Roma eram adoradas como símbolos do poder romano.
Esses fatores demonstram que havia um interesse geral pelas questões religiosas e a busca por respostas significativas. As pessoas começaram a indagar se talvez havia apenas um Deus universal. Muitas pessoas queriam descobrir a purificação da culpa, havendo um grande desejo de saber o que sucedia ao ser humano após a morte. As filosofias da época não proviam respostas aceitáveis, e as pessoas ficavam insatisfeitas com as conclusões a que a razão humana chegava. Muitos viviam na desesperança, no vazio espiritual, na corrupção e na imoralidade. Que tempos foram aqueles em que Cristo Jesus veio a este mundo, para iluminar os corações e as mentes obscurecidas dos homens com o pleno resplendor da glória de Deus!
Os Livros do Novo Testamento.
Já nos temos familiarizado com o mundo do Novo testamento – suas religiões, sua cultura e sua política, Agora, entretanto, voltemos a atenção para o próprio Novo Testamento, a narrativa do grande milagre mediante o qual Deus tornou-se homem, a fim de fazer o homem voltar-se para Deus. Esse é o Novo Testamento, pois anuncia o novo acordo que Deus estabeleceu com o homem por meio de Cristo. Enquanto o Antigo Testamento revelava a justiça de Deus por meio da Lei, o Novo Testamento revelava essa justiça por meio da graça e da verdade que há em Jesus Cristo. Examinaremos os tipos de conteúdo, os autores e a cronologia dos vinte e sete livros que perfazem o Novo Testamento.
O Conteúdo dos Livros. Há quatro tipos básicos de conteúdo no Novo Testamento: contudo histórico, doutrinário, pessoal e profético. Cada um desses tipos de conteúdo tem certas características. No tocante ao conteúdo, os livros do Novo Testamento são classificados de acordo com o tipo principal do conteúdo que cada um revela. O evangelho de Mateus, por exemplo, encerra algumas seções proféticas. Entretanto a maior parte de seu conteúdo é histórica. Portanto, deve ser incluída entre os escritos históricos.
Os Livros Históricos. Os livros históricos incluem as quatro narrativas da vida de Cristo (Mateus, Marcos, Lucas e João), bem como o relato do começo da Igreja (Atos dos Apóstolos). São chamados livros históricos porque o seu propósito primário é registrar os eventos e apresentar os fatos. Incluem os nomes de muitas pessoas e lugares. Com freqüência, citam as palavras que foram ditas em determinadas situações. Também dão muitas descrições pormenorizadas das circunstâncias e dos resultados de atos específicos. De modo geral, os escritos históricos prestam informações que respondem a perguntas como estas: Que sucedeu? Onde sucedeu? Quem fez isso? O que foi dito? Qual foi o resultado? Porém, os livros históricos do Novo Testamento nos dão muito mais do que as respostas a essas perguntas. O próprio Filho de Deus nos é revelado por intermédio do Registro que eles apresentam das coisas que Jesus disse e fez.
Os Livros Doutrinários. A maioria dos livros doutrinários compõe-se de cartas escritas para certos grupos de crentes. Com freqüência abordam assuntos específicos que alguns daqueles grupos estavam enfrentando, ao procurarem seguir a maneira de viver cristã. Ao escrever a esses crentes, os autores desses livros explicaram as grandes verdades a respeito de Jesus Cristo e Sua obra, se ainda não as haviam compreendido. Os autores sagrados igualmente descreveram a relação entre os crentes a Cristo, e como os crentes devem viver como resultado disso. As poderosas mensagens que Deus inspirou que escrevessem não visavam apenas aos primeiros discípulos, mas também “todos os que em todo lugar invocam o nome de Nossos Senhor Jesus Cristo” (1 Coríntios 1.2).
Os livros doutrinários são os seguintes: Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossences, 1 e 2 Tessalonicenses, Hebreus, Tiago, 1 e 2 Pedro, Judas e 1 João.
Continua no próximo post.


sexta-feira, novembro 25, 2016

Introdução ao Novo Testamento - 04.


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Embora os romanos fossem administradores capazes, muitos judeus da Palestina ressentiam-se muito ante o domínio deles. Odiavam pagar impostos ao governo romano. Não obstante, o governo romano era um fato da vida. Em resultado disso, havia uma constante corrente subterrânea da rebelião e agitação entre os judeus. Aumentando essas tensões políticas, muitos líderes judeus passaram a dar mais e mais de sua atenção a essas tensões.
O Concílio governante. Sob o abrangente governo romano, entretanto, aos judeus foi dado um certo grau de autoridade para se governarem a si mesmos quanto às questões políticas e religiosas. Essa autoridade repousava sobre o Concílio de setenta juízes, chamados coletivamente o Sinédrio. O sumo-sacerdote estava a testa desse concílio, e os membros provinham, na maioria das vezes, do sacerdócio ou de famílias abastadas. No Sinédrio, havia alguns poucos fariseus, que eram populares entre as multidões, mas os saduceus formavam o partido dominante.
O templo. Nos dias do ministério de Jesus havia um templo magnífico em Jerusalém. Era chamado “templo de Herodes”, assim chamado porque o seu construtor fora Herodes o Grande. Tanto o templo de Salomão como o “segundo templo” tinham estado no lugar onde esse templo agora estava. O templo de Salomão, todavia, fora destruído pelos babilônios, em 586 a.C. O “segundo templo” fora reconstruído pelos exilados que tinham regressado a Jerusalém na época de Esdras e Neemias. Esse fora o templo contaminado por Antíoco IV, e que então fora purificado por Judas Macabeu. Posteriormente, parece ter sofrido alguma destruição, tendo sido reedificado por Herodes o Grande, em torno de 20 a.C.
O templo de Herodes era similar aos anteriores. Tinha diversos portões, uma muralha interna além da qual não podia passar quem não fosse judeu, e um pesado véu que separava o Santo lugar do Santo dos Santos. As cerimônias do templo eram levadas a efeito por um grupo de sacerdotes encabeçado pelo sumo-sacerdote. Anualmente, cada israelita do sexo masculino tinha de pagar uma taxa ao templo (quantia equivalente ao salário de dois dias de trabalho), para a conservação dos prédios e pagar salários de sacerdotes.
As festas. Embora os judeus da dispersão estivessem largamente espalhados, continuavam considerando Jerusalém a sua capital. Anualmente, milhares deles, incluindo muitos prosélitos e tementes a Deus iam até ali como peregrinos, participar das grandes festividades religiosas. Ali se reuniam aos judeus que viviam na Palestina, na celebração das festas que assinalavam os mais importantes acontecimentos de sua história. Duas das sete festas efetuadas a cada ano eram particularmente importantes nos dias do Novo Testamento. Estamos falando da Páscoa e do Pentecostes.
A Páscoa era a festa mais importante de todas. Marcava o aniversário do livramento dos judeus da servidão no Egito e o início deles como uma nação independente. O trecho de Êxodo, capítulos 11 e 12, relatam como Deus desfechou uma praga final contra os egípcios, de tal modo que estes finalmente permitiram que os israelitas saíssem do Egito e fossem para a terra que Deus lhes prometera. Por terem observado as instruções dadas para eles pelo Senhor, os israelitas foram poupados das pragas pelas quais todos os filhos e animais primogênitos dos egípcios foram mortos, em uma só noite.
Aos israelitas foi ordenado que observassem anualmente a festa da Páscoa, como uma ordenança perpétua para eles e seus descendentes. Veja em Êxodo 12.24: “Guardai, pois, isto por estatuto para vós outros e para vossos filhos, para sempre”. - RA. Todos os judeus do sexo masculino que vivessem em Jerusalém ou nas proximidades, precisavam fazer-se presentes à festa da Páscoa, a menos que estivessem fisicamente incapacitados de fazê-lo. Muitos judeus da diáspora, bem como prosélitos e tementes a Deus, também participavam dessa festa. Jerusalém transbordava com as imensas multidões que se reuniam para essa celebração.
O Pentecostes também era uma importante festa religiosa nos dias do Novo Testamento. Durante o período intertestamentário, essa festa passou a ser celebrada como o aniversário da outorga da Lei de Moisés. Veja em Êxodo, capítulo 19. Na comunidade judaica a Lei e sua observância serviam de poderosa força unificadora. Os judeus consideravam a lei como o maior dom que Deus lhe proporcionara. Leiam os Salmos 1, 19 e 119. Tal festa foi chamada Pentecoste, uma palavra que significa cinqüenta, por ser observada cinqüenta dias após a Páscoa.
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segunda-feira, outubro 31, 2016

Introdução ao Novo Testamento - 03.


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2. A conversão de não-judeus ao judaísmo. Durante seus anos de exílio na Babilônia, os judeus foram usados por Deus a fim de torná-Lo conhecido entre os babilônios. O livro de Daniel no Antigo Testamento, por exemplo, registra como o rei Nabucodonosor testificou do poder de Deus nas vidas de Daniel e seus três amigos, os jovens judeus a quem ele havia capturado e levado à Babilônia. Ele foi forçado a admitir que o Deus de Daniel era “Deus dos deuses e o Senhor dos reis” (Daniel 2.47). Aos judeus foi dada a liberdade para adorar seu Deus e ensinar acerca dEle. Embora um grupo de Judeus tivesse regressado à Jerusalém, quando isso lhes foi permitido, muitos permaneceram na Babilônia e mais tarde estabeleceram-se em outros lugares por todo o império, de um Libertador vindouro. Não admira, pois, que lemos em Mateus 2.1,2, que os magos ou sábios, orientados pela estrela, vieram do oriente à Jerusalém, procurando adorar ao recém-nascido rei dos Judeus.
Os judeus que não permaneceram na Babilônia e nem retornaram à Palestina, dirigiram-se a lugares como Egito, Grécia, Macedônia, Roma e outras cidades principais da Ásia Menor. (Esse movimento que espalhou os judeus se denomina diáspora ou dispersão). Finalmente havia colônias judaicas em todas as nações do império romano. De fato havia mais judeus vivendo fora da Palestina do que dentro dela.
Como resultado da dispersão, os ensinamentos sobre o único e verdadeiro Deus e o vindouro Messias tornaram-se largamente conhecidos. Um considerável número de não-judeus da Palestina e de outros lugares uniu-se à religião judaica, reconhecendo a superioridade da mesma às crenças pagãs. Esses novos adeptos eram chamados prosélitos e tementes a Deus. Prosélitos eram todas aqueles que se submetiam a todos os requisitos da Lei, incluindo a circuncisão. Eram tratados como membros plenos da comunidade judaica. Os tementes à Deus, em contraste com isso, eram aqueles que aceitavam os ensinamentos judaicos, mas não assumiam a obrigação de cumprir a Lei. Esses não eram considerados membros plenos.
3. A Septuaginta. Por onde quer que os judeus fossem, levavam suas Escrituras e as ensinavam nas sinagogas que formavam. Durante o período inter testamentário, as Escrituras do Antigo Testamento foram traduzidas para o grego. Essa tradução foi produzida na cidade de Alexandria, no Egito. Recebeu o nome de Septuaginta, palavra que significa setenta, porque, de acordo com a tradição, o trabalho de tradução foi efetuado por setenta e dois eruditos. Essa tradução ajudou a propagar os ensinamentos do Antigo Testamento por todo o mundo de fala grega, antes mesmo do nascimento de Cristo. Era usada pelos judeus, seus convertidos, pelos escritores do Novo Testamento e pelos primeiros pregadores do evangelho.
O Judaísmo no Novo Testamento. Vimos como os desenvolvimentos inter testamentários do judaísmo prepararam o mundo para a pregação do evangelho. Vejamos agora alguns aspectos específicos da própria religião judaica conforme ela existia nos dias do Novo Testamento. Esses aspectos são com freqüência referidos nas páginas do Novo Testamento.
Os grupos religiosos. Havia dois partidos ou facções principais dentro do Judaísmo: os fariseus e os saduceus. Os fariseus julgavam-se o verdadeiro Israel de Deus. O nome fariseu significa “separado”. Eles seguiam rigidamente a lei escrita e as tradições dos anciãos, aceitando também os escritos proféticos. Na sua submissão à lei, eles eram assessorados pelos escribas, que interpretavam a lei e ajudavam-nos a aplicá-la às flutuantes condições da vida diária. Criam na existência dos anjos e dos espíritos, bem como na ressurreição dos mortos. Praticavam a oração ritual e o jejum, e davam dízimos daquilo que possuíam. Não trabalhavam em dia de sábado e nem permitiam que alguém o fizesse. O povo, sobre quem eles exerciam considerável influência, respeitavam-nos como homens santos. Zelosos em prol do judaísmo, eles conquistavam muitos não-judeus às suas crenças. Antes da conversão à Cristo, o apóstolo Paulo, fora fariseu. Tanto os escribas como os fariseus mostravam-se ativos nas sinagogas.
Os saduceus, em contraste com os fariseus, aceitavam a lei mosaica como autoritativa. Eles rejeitavam as tradições dos anciãos e não acreditavam em anjos, espíritos e nem na ressurreição dos mortos. Deixavam se influenciar mais pelo sacerdócio, pelo templo e pelo poder político. Quase todos os saduceus eram sacerdotes.

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sexta-feira, outubro 21, 2016

Introdução ao Novo Testamento - 02.


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2. A Cultura Grega. Embora os romanos fossem os dominadores políticos do mundo, era o idioma e o pensamento gregos que dominavam a cultura da época. Um idioma e um mundo! Esse era o lema e a ambição de Alexandre, o Grande. Quando ele fez as suas conquistas, tomou providencias para unificar todas as nações dominadas sob o seu controle. O idioma grego passou a ser ensinado por toda a parte do seu império. A cultura grega foi introduzida como o padrão de pensamento e da vida diária. Isso produziu um profundo impacto sobre o povo do mundo do Novo Testamento. (A cultora grega também é chamada cultura helênica. A pessoa cuja cultura era grega era chamada helenista, embora não fosse grega de nascimento).
Se o império político de Alexandre o Grande foi de breve duração, seu impacto cultural foi grande e duradouro. Por muitos séculos, o mundo mediterrâneo inteiro exibiu as marcas da influência helenista. Tornaram-se generalizados os costumes e as maneiras gregos. Muitas cidades copiavam o estilo da arquitetura grega. O espírito de inquirição dos gregos, que gostavam de especular sobre a origem e o significado do universo, de Deus e dos homens, do bem e do mal, também foi adotado pelas nações influenciadas pela cultura grega. O grego tornou-se o idioma dos governantes e a língua comum dos escravos. Cartas, poemas e transações comerciais eram todas redigidas em grego. No Novo Testamento, o termo grego é usado afim de referir-se não somente ao povo da Grécia, mas também ao povo que falava o grego, e pertenciam a outras nações não-judaicas. O grego tornou-se generalizado como idioma.
Quando os romanos chegaram ao poder, encontraram no idioma grego um meio ideal para comunicar-se com seus territórios capturados. Jovens romanos eram enviados para serem educados em universidades gregas, como as de Atenas, Rodes e Tarso. Finalmente na própria capital do Império, o grego tornou-se largamente falado.
O idioma grego era realmente um veículo inigualável para expressar a mensagem cristã. Visto que esse idioma era tão largamente usado, os apóstolos podiam pregar em grego, sem a necessidade de intérpretes. O uso generalizado desse idioma também explica por qual razão todos os livros do Novo Testamento, escritos quase todos por judeus, foram originalmente escritos em grego. Quando Cristo veio com a mensagem de Deus para o mundo inteiro, havia uma língua universal, com a qual Ele podia comunicar-se com todos.
3. A Religião Judaica. Já vimos como Deus usou o poder romano e a cultura grega para preparar o mundo para ouvir a mensagem de Cristo. Deus também usou o povo e a religião judaicos com esse mesmo propósito. Ele se revelou aos judeus e lhes conferiu predições a respeito do Messias que viria. Essas revelações e profecias foram registradas e reunidas no Antigo Testamento. Os ensinamentos do Antigo Testamento propagaram-se por muitos lugares do mundo em resultado da vida e da religião judaica que ocorreu durante o exílio e o período inter testamentário.
O Judaísmo no Período Intertestamentário.
Três principais desenvolvimentos surgiram no judaísmo durante o exílio e os anos do período intertestamentário. Esses três foram o surgimento da sinagoga e sua forma de adoração, a conversão de muitos não judeus ao judaísmo, e a tradução das Escrituras do Antigo Testamento para o grego.
1. A Sinagoga. Quando os judeus foram levados ao exílio, levaram consigo as Escrituras do Antigo Testamento. Esses escritos formavam a base da prática religiosa deles. Durante o cativeiro, não podiam adorar no templo e nem oferecer sacrifícios de animais. Entretanto eles deram continuidade à sua adoração ao verdadeiro Deus.
Eles passaram a se reunir em agrupamentos chamados sinagogas, a fim de discutirem sobre as Escrituras e serem instruídos nelas. Dez ou mais homens podiam formar uma sinagoga, e podia haver mais de uma sinagoga em cada cidade. A adoração típica da sinagoga incluía leituras da lei e dos profetas. Os profetas haviam escrito sobre a vinde de um Messias, que os livraria do cativeiro.

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