segunda-feira, fevereiro 08, 2016

A doutrina do Pecado - 01.


A Doutrina do Pecado – 01.
O pecado pode ser definido como a desobediência e como o fracasso, por não conformar-se às leis dadas por Deus, a fim de orientar as Suas criaturas racionais. Visto que a lei de Deus é uma expressão de sua natureza moral, o homem deve moldar-se a essa lei, a fim de agradar a santa pessoa divina. A Bíblia revela claramente para nós a realidade do pecado, bem como a sua origem, natureza, consequências e cura. Todos esses aspectos do pecado serão abordados enquanto formos avançando neste estudo.
Conforme vimos anteriormente, o homem é uma criatura racional. Assim ele deve saber que é culpado de pecado se: 1) fizer aquilo que não deve fazer; 2) não fizer aquilo que deve fazer; 3) for aquilo que não deve ser, ou 4) não for aquilo que deve ser. Há muitas provas sobre a realidade do pecado. A primeira delas encontra-se na Bíblia.
O Pecado Visto nas Provas bíblicas. O pecado é um dos principais assuntos encontrados na Bíblia. O terceiro capítulo do livro de Gênesis registra a primeira vez que o homem pecou. O quarto capítulo desse livro continua a narrativa dizendo-nos como o problema continuou a afetar o filho dos nossos primeiros pais. Nessa altura dos acontecimentos, Deus fez um comovente apelo a Caim: “… eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo” (Gênesis 4.7). Caim, entretanto sucumbiu diante de seus sentimentos de inveja, ódio e rebelião e, por causa disso, matou o seu próprio irmão.
Por muitas e muitas vezes, encontramos o problema do pecado, quando lemos as Escrituras Sagradas. Deus deu a Lei escrita para guiar o seu povo no começo da experiência dos israelitas (Veja em Êxodo 20.1-17). Ele também instruiu a Moisés em todos os preceitos destinados a Seu povo, e disse claramente como o pecado poderia ser expiado, orientando o povo de Israel a oferecer os sacrifícios apropriados pelos pecados por eles cometidos. (Veja em Levítico capítulos 4 a 7). Ele chegou até mesmo a determinar um dia a cada ano em que a nação inteira de Israel deveria cuidar do problema do pecado (ver Levítico capítulo 16). Os primeiros cinco livros do Antigo Testamento são chamados de livros da Lei, porquanto contêm todos os mandamentos de Deus para o Seu povo, sobre como deveriam viver santamente, além de conterem as Suas instruções para o recebimento do perdão pelos pecados.
Os livros históricos de Josué até Ester, registram o trágico fracasso do povo de Israel, por não haver obedecido aos mandamentos do Senhor. Esses livros mostram o desvio, a desobediência, a obstinação e a rebeldia de Israel contra Deus e as Suas leis.
O salmista exprimiu tristeza por causa do seu pecado, dizendo: “Tem misericórdia de mim, ó Deus... apaga as minhas transgressões. Lava-me completamente da minha iniquidade, e purifica-me do meu pecado... eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” (Salmo 51.1,2,5). Os profetas clamaram contra o pecado que levou à queda de Israel (Ezequiel 23; Jeremias 5; Daniel 9.1-23).
O Novo Testamento relata a traição de Judas Iscariotes (Mateus 26.14-16). Retrata os sofrimentos de nosso Salvador, o qual tomou sobre Si mesmo o pecado do mundo (Lucas 22.39-44; João 19.1-3,18). Ali é descrito o plano indigno de Ananias e Safira (Atos 5.1-11). E também uma das mais vívidas evidências do pecado acha-se registrada em Romanos 1.28-32. Ali o caminho do pecado é descrito como segue:
E, como eles não se importaram de ter o conhecimento de Deus. Assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convém; Estando cheios de toda a iniquidade, prostituição, malícia, avareza e maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e as mães, néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia. Os quais, conhecendo eles a justiça de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também consentem aos que o fazem”.
O pecado visto na necessidade de governo. Não somente a Bíblia apresenta-nos muitos exemplos acerca da realidade do pecado, como também provê evidências, através da inevitável necessidade da sociedade ser governada. Lemos em Juízes 21.25: “Naqueles dias não havia rei em Israel: porém cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos”. Até aquele tempo, Deus vinha usando juízes para dirigir os israelitas, de acordo com as Suas orientações. Porém, no oitavo capítulo de 1 Samuel descobrimos que os israelitas pediram a Samuel que nomeasse para eles um rei. Os israelitas queriam ter o mesmo tipo de governo, que tinham todas as nações em derredor (veja 1 Samuel 8,7: “Disse o SENHOR a Samuel: Atende à voz do povo em tudo quanto te diz, pois não te rejeitou a ti, mas a mim, para eu não reinar sobre ele” - RA). Visto que o povo de Deus não estava disposto a obedecer-Lhe, eles precisavam de governantes humanos.
Algumas vezes, as pessoas sonham com um meio ambiente que chamam de utopia, isto é, um lugar ou estado ideal, onde imperam a justiça perfeita e a harmonia social. Nesse estado utópico, cada qual ocupa-se com os seus próprios negócios, contribui alegremente para o bem estar dos outros e desfruta das coisas boas da vida ao máximo. No entanto, neste mundo é impossível uma sociedade tipo utopia. Os seres humanos são egoístas e rebeldes por natureza. O pecado é uma grande realidade da vida, que temos de enfrentar diariamente, ninguém escapa dos seus efeitos. As trágicas consequências do pecado são noticiadas pelos jornais, pelo rádio, pela televisão, em revistas, etc. Indicando claramente a necessidade da nossa sociedade ser controlada pelo governo humano.
O pecado é uma realidade. Não resulta da superstição nem da falta de educação. Resulta da natureza dos homens e das mulheres, que vivem de modo contrário às leis de Deus e de conformidade com os seus próprios maus desejos.
Continua no próximo post.

quarta-feira, dezembro 09, 2015

O Espírito Santo - 08.

Continuação do post anterior.
Complementando, o Espírito Santo controla a missão evangelizadora da Igreja, orientando os Seus servos para onde devem ir e para onde não devem (Veja em Atos 13.2: “E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado” – RA; e em Atos 16.6,7: “E, percorrendo a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na Ásia, defrontando Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu” - RA). Mediante essa orientação divina, os cristãos primitivos atingiram centros populacionais importantes que se tornaram vitais na continuação da missão da Igreja, que é a de pregar o evangelho a toda criatura (Veja Marcos 16.15: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” - RA). Nos primeiros esforços missionários e evangelísticos da Igreja cristã, foi o Espírito Santo quem separou Paulo e Barnabé para servirem, ordenando-os para esse ministério.
O Espírito Santo também dirigiu os crentes na devida administração da Igreja. Quando o cristianismo cresceu e atravessou fronteiras nacionais, culturais e religiosas, surgiram indagações que requeriam respostas coerentes com as Escrituras e com o amor cristão. Os preconceitos humanos naturais ameaçavam dividir o corpo de Cristo; mas, a liderança do Espírito Santo permitiu que Tiago e os outros apóstolos resolvessem as dificuldades; mediante sábios conselhos (veja em Atos 15.28,29: “Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor maior encargo além destas coisas essenciais: 29 que vos abstenhais das coisas sacrificadas a ídolos, bem como do sangue, da carne de animais sufocados e das relações sexuais ilícitas; destas coisas fareis bem se vos guardardes. Saúde”). Isso capacitou a Igreja a crescer ainda mais rapidamente, desenvolvendo um espírito de unidade.
Através de Sua contínua orientação, o Espírito Santo conduziu Paulo e outros cristãos a darem o encorajamento, consolo, ensino doutrinário, advertência e a disciplina necessária à Igreja mediante epístolas inspirada. Poe exemplo, Paulo abordou a questão específica da conduta na igreja local de Corinto, em termos de responsabilidades sociais (Veja 1 Coríntios 7.40: “ Todavia, será mais feliz se permanecer viúva, segundo a minha opinião; e penso que também eu tenho o Espírito de Deus”). O escritor da epístola aos hebreus explicou a questão da disciplina como um processo de desenvolvimento espiritual, mediante o qual Deus leva os crentes na direção da maturidade espiritual (Veja em Hebreus 12.4-11). Nesse processo de amadurecimento, o Espírito Santo, como um sábio administrador, equipa cada crente com os dons que são necessários para efetuar a Sua função no mundo e no seio da Igreja, o corpo de Cristo. Compare Romanos 12.4-8; 1 Coríntios 1.28 e Efésios 4.11-16. Escreveu Paulo: “E há diversidade nas realizações, mas o mesmo Deus é quem opera tudo em todos. A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso” (1Coríntios 12.6,7).
O Espírito Santo, portanto, provê à Igreja esses pontos fortes:
  1. Poder para evangelizar.
  2. Sabedoria e coragem necessárias para defender a fé.
  3. Dons apropriados para servir ao corpo inteiro de Cristo, bem como a membros individuais.
  4. Liderança humana para dirigir o trabalho cristão.
  5. Visão e inspiração necessárias para cumprir a Grande Comissão.
Você deve estar percebendo o quanto precisamos depender do Espírito Santo quanto à vida espiritual, à força, à visão espiritual, à eficácia no serviço, à ajuda em tempos de testes e para que cheguemos à maturidade e a vitória pessoal. Adore, pois, ao Espírito Santo.
Ame a Sua presença em sua vida. Deseje crescer e desenvolver-se, tornando-se uma pessoa espiritual, conforme Ele quer que você seja. Que você sempre tenha consciência da presença dessa Pessoa, que veio viver em você. Mostre-se sensível para com a Sua voz, os Seus apelos, a Sua correção e as Suas admoestações. Que cada pensamento, conversa e ato seu, reflitam a consciência que você tem da posição de liderança que Ele exerce em sua vida. Então, o seu caminho tornar-se-á espiritualmente próspero e a sua vida cristã será verdadeiramente bem sucedida.

Continua no próximo post.

quarta-feira, novembro 11, 2015

O Espírito Santo - 07.


Continuação do post anterior.
Baseado na experiência dos crentes, no registro do livro de Atos, sabemos que, após o batismo inicial no Espírito (Atos 2), eles receberam mais do Espírito adicionalmente. (Ver Atos 4.31: “Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus” - RA). Uma vez que foram introduzidos na vida com o Espírito, eles passaram a andar com Ele, crescendo em estatura espiritual. Para exemplificar, comparar isso com 2 Coríntios 3.18: “ E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito.” - RA. Esse relacionamento deveria tornar-se mais belo e satisfatório a cada dia. Deveríamos ver um genuíno crescimento espiritual, a medida que o tempo passe. É que, tendo iniciado em nós uma boa obra, o Espírito Santo haverá de levá-la até o seu ponto completo, se andarmos com Ele (Ver Filipenses 1.6: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” – RA).
Seus Símbolos. Vejamos os símbolos bíblicos que descrevem algum aspecto do Espírito Santo, na sua atividade:
  1. Em Mateus 3.11 – Fogo.
  2. Em Mateus 3.16 – Pomba.
  3. 1 Reis 19.16; 1 João 2.20 – Azeite.
  4. Lucas 11.13 – Dom.
  5. João 7.37-39 – Rios de água viva.
  6. 2 Coríntios 1.22; Efésios 1.13,14 – Selo ou depósito
  7. 7 João 20.22; Ezequiel 37.9,14 – Sopro, Vento.
Em relação à Igreja. Nossa discussão sobre as maneiras como o Espírito Santo ministra ao mundo incrédulo e aos crentes, fornece-nos uma base para considerarmos o Seu ministério em favor do corpo místico de Cristo como um todo unido, como uma coletividade. Nos dias do Antigo Testamento, o povo de Deus muito se beneficiou com o ministério do Espírito Santo, quando Ele ungia pessoas selecionadas para algum serviço especial. Porém, no Novo Testamento, esse ministério ainda é mais evidente, porque é contínuo e não se limita a qualquer grupo específico de crentes. Vejamos como e por qual motivo, o ministério do Espírito Santo, no período do Novo Testamento, difere de Suas atividades nos tempos do Antigo Testamento.
Por ocasião do Batismo de Jesus, João Batista O proclamou como aquele que batizava no Espírito Santo (Veja João 1.33: “Eu não o conhecia; aquele, porém, que me enviou a batizar com água me disse: Aquele sobre quem vires descer e pousar o Espírito, esse é o que batiza com o Espírito Santo” - RA). Como resultado dessa obra remidora, Jesus abriu o caminho para os Seus seguidores serem batizados no Espírito Santo, recebendo assim o outro Consolador. O Espírito Santo é o próprio representante de Jesus, que veio para habitar para sempre com os crentes (Veja João 14.16: “ E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco,” - RA). Após a Sua ressurreição, Ele anunciou aos Seus discípulos que eles seriam batizados no Espírito Santo dentro de poucos dias e que, como resultado disso, receberiam poder do alto. (Veja Atos 1.5,8).
Diferentemente das unções especiais para alguma tarefa específica, como nos dias do Antigo Testamento, essa nova experiência – o batismo no Espírito Santo – haveria de ser a capacitação básica para o crente ter uma vida espiritual e um serviço cristão coerente e eficaz. O Espírito Santo veio para ser um residente permanente naqueles que recebessem a Cristo (Ver João 14.17: “o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não no vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós” - RA). O resultado dessa presença habitadora e poderosa seria um desenvolvimento espiritual dramático, quando os seguidores de Jesus compartilhassem de sua fé e experiência uns com os outros.
Assim, na experiência do Novo Testamento, os crentes podem contar com a presença permanente do Espírito Santo neles, o que os capacita a viverem vidas santas e servirem a Deus de maneira aceitável. Não mais os crentes dispõem apenas de um modelo externo, para moldarem suas vidas segundo o mesmo (a lei mosaica), conforme acontecia nos tempos do Antigo Testamento, mas sem qualquer força capacitadora para eles poderem cumprir os requisitos da lei, excetuando as suas próprias boas intenções. Visto que o Espírito agora reside nos membros da Igreja Cristã, dirigindo as suas atividades coletivas, eles têm a capacidade de levar avante a obra e a vontade de Deus sobre a face da terra.
Não somente os seguidores de Jesus recebem o poder de serem testemunhas eficazes, como também são dotados para defender o evangelho com sucesso. Este é um cumprimento direto do que diz o trecho de Marcos 13.9-11. Em certa ocasião Pedro mostra-se incapaz de defender seu relacionamento com Jesus (Veja Mateus 26.69-75). Mas, após várias experiências significativas, que incluíram ser ele testemunha da ressurreição de Jesus e ter sido cheio com o Espírito Santo no dia de Pentecoste, Pedro recebeu coragem e ousadia pára pregar (Veja Atos 2), bem como ousadia para apresentar uma defesa racional de sua fé (Veja em Atos 4.8-20).

Continua no próximo post.

sábado, outubro 17, 2015

O Espírito Santo - 06.


Continuação do post anterior.
O lugar e a importância que damos ao Espírito Santo em nossa vida cristã é que determinará o nosso caráter. O homem não nasce com hábitos pré-fixados. O caráter de um homem resulta dos hábitos que ele desenvolve mediante atos repetidos. O caráter do homem natural, que vive somente para satisfazer os seus impulsos físicos é um espetáculo patético e deprimente. Mas o caráter do homem espiritual, que permite que o Espírito Santo guie a sua vida, é inteiramente diferente disso, conforme veremos. A solução dada pelo apóstolo Paulo é a seguinte: “Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne” (Gálatas 5.16).
1.6 - O Espírito Santo produz em nós o fruto bendito da vida cristã. Certo amigo perguntou-nos, por qual motivo um grupo de pessoas, que dizia ter um relacionamento muito íntimo com o Espírito Santo, vangloriava-se diante de outras pessoas de serem muito espirituais. Esse amigo disse que não podia imaginar o Espírito Santo vangloriar-se acerca de si mesmo. Tivemos de concordar prontamente com ele. Para evitarmos a carnalidade (que consiste em ceder aos desejos da carne) e a espiritualidade superficial, precisamos andar no Espírito.
Andar no Espírito subentende que o indivíduo depende continuamente dEle, crendo que Ele lhe ajudará a andar corretamente por qualquer área da vida. Apesar de nunca nos ser prometida uma vida caracterizada pela perfeição impecável, seremos maravilhosamente transformados, à medida que formos cheios e controlados pelo Espírito. Ao invés de manifestarmos as obras da carne (Gálatas 5.19.21), produziremos o fruto de Espírito. “Mas o fruto de Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão. temperança” (Gálatas 5.22,23).
Essas qualidades coletivamente intituladas “fruto do Espírito”, são características do Espírito Santo. Devemos examinar cuidadosamente as nossas atitudes, os nossos relacionamentos e os nossos atos, a fim de vermos se retratam essas características, ou se nos falta algum aspecto do fruto do Espírito. 
Termos relacionados ao Batismo no Espírito Santo. O relacionamento íntimo que existe entre o crente e o Espírito Santo tem sido ilustrado na Bíblia por diversos termos descritivos. Um deles chama-se batismo, o que significa imersão. (Ver Mateus 3.11: “Eu vos batizo com água, para arrependimento; mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo- RA; e Atos 1.5: “Porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias” - RA). O que acontece quando uma pessoa é imersa na água? Fica inteiramente molhada. A água cobre-a totalmente. Quão glorioso é saber que é possível, para nós, seres humanos, que o senhor Deus nos sature completamente (encha-nos completamente) com Ele mesmo!
Um outro termo usado para descrever a relação do crente com o Espírito Santo é enchimento (Ver Atos 2.4: “Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espírito lhes concedia que falassem” - RA; e Atos 4.31: “Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos; todos ficaram cheios do Espírito Santo e, com intrepidez, anunciavam a palavra de Deus” - RA). Quando uma taça fica cheia, não tem capacidade para receber mais nada. E, de igual modo, o Espírito Santo deseja nos dar tanto de Seu poder e de Sua glória, que seremos incapazes de receber mais da parte dEle. E somente então teremos o poder, a sabedoria e a unção necessários para agradar a Deus e para servi-lO, com eficácia dentro do corpo de Cristo. Podemos ser cheios com o Espírito em repetidas ocasiões, tal como aconteceu aos cristãos primitivos. À medida que vai aumentando a nossa capacidade, Ele continuará a encher-nos a novos níveis, com a Sua divina plenitude. Os crentes são aconselhados: “... Enchei-vos do Espírito” (Efésios 5.18). Seria bom se desejássemos permanecer sempre cheios do Espírito.
Uma terceira maneira de encararmos esse relacionamento é dizer que o Espírito é derramado sobre nós (Joel 2.28,29). Essa profecia fala sobre as chuvas de outono, que os agricultores de Israel esperavam com ansiedade, a fim de que suas plantações amadurecessem plenamente e em tempo para a colheita. Bom seria que desejássemos, com idêntico anseio, pelo derramamento do Espírito Santo sobre as nossas igrejas e sobre as nossas vidas, para que pudéssemos desenvolver todo o potencial que nos foi dado para promover a glória de Deus.
O Novo Testamento ensina que para que essa obra especial do Espírito Santo se inicie em nossas vidas, conforme é indicado pelos termos que acabamos de apresentar, teremos de receber uma experiência inicial. Entretanto, o batismo inicial no Espírito não deveria ser visto como o clímax de nosso andar com Ele.

Continua no próximo post.

sexta-feira, setembro 18, 2015

O Espírito Santo - 05.

Continuação do post anterior.
O ensino de Jesus sobre o ministério do Espírito Santo (Veja João 14.16,17,26; 15.26; 16.5-15: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convosco. O Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê, nem o conhece; vós o conheceis, porque ele habita convosco e estará em vós. Mas, o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos tenho dito”), leva-nos a concluir que, na ausência de nosso Senhor Jesus Cristo deste mundo e em favor do Pai, o Espírito Santo é Aquele que dá testemunho aos incrédulos. O Espírito Santo convence-os do pecado e os atrai a Cristo. Em seguida, Ele ilumina o crente no tocante às suas responsabilidades espirituais. O Espírito Santo mostra ao indivíduo injusto que a única maneira dele tornar-se justo é mediante a fé na expiação de Cristo. É ao revelar que Cristo pagou a penalidade imposta pelos nossos pecados, de uma vez por todas, que o Espírito Santo é capaz de convencer os incrédulos do julgamento final. O Espírito Santo convence os incrédulos do pecado.
Em relação aos crentes individuais. Consideremos o ministério do Espírito Santo em relação aos crentes sob duas categorias: 1) Sua ajuda; e 2)Seu batismo.
1) Sua ajuda. Jesus disse aos seus discípulos que convinha que Ele os deixasse, pois somente assim o Espírito Santo viria para ajudá-los (Veja João 16.7: “Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei” - RA). Ficamos admirados ao ver as muitas formas de ajuda que os crentes podem receber da parte dEle. Vejamos:
1.1 - Tornamo-nos crentes mediante a atuação do Espírito Santo. Quando éramos incrédulos, estávamos espiritualmente mortos; mas, quando nos achegamos a Deus, com arrependimento e fé, nascemos espiritualmente. Tornamo-nos uma nova criatura (Ver 2 Coríntios 5.17: E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.” - RA). Nascemos do alto pelo poder do Espírito do Senhor, e recebemos uma nova natureza. Essa experiência é chamada regeneração, pelos teólogos (Ver João 3.5-7: “Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo”; Efésios 2.5: “e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, —pela graça sois salvos” - RA; e Tito 3.5: “ não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo,” - RA).
1.2 - Do Espírito Santo é que recebemos poder para testificar. (Veja Atos 1.8: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra” - RA). Surgem problemas quando tomamos decisão de anunciar as boas novas às outras pessoas. Circunstâncias, pessoas e espíritos malignos procuram impedir-nos. Precisamos de um poder especial para superarmos todos esses obstáculos. O Espírito de Deus é a fonte do poder que precisamos para que o nosso testemunho cristão seja eficaz.
1.3 – O Espírito Santo ministra-nos como um mestre. (Veja João 14.26; 15.26; 16.13). Talvez eu não pertença a alguma classe privilegiada, mas, quando eu rogo ao Espírito por Sua ajuda, Ele me ensina. Ele está mais disposto a revelar-me as verdades divinas do que qualquer outro ser (Veja 1 Coríntios 2.12-14).
1.4 – Também recebemos a ajuda do Espírito intercedendo em nosso favor. Isso significa que Ele apresenta as nossas necessidades diante de nosso Pai celestial, Você já não se sentiu capaz de orar diante de certas situações? Há ocasiões em que não temos força para orar. É nesses momentos que podemos contar com a intercessão do Espírito Santo em nosso favor (Romanos 8.26: “Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis” - RA).
1.5 – O Espírito Santo guia-nos dia após dia na direção de uma vida cristã vitoriosa. Quando somos regenerados e o Espírito Santo vem residir em nossa vida descobrimos que temos duas naturezas: uma delas voltada para o que é natural ou físico e a outra voltada para o que é espiritual. Descobrimos que o nosso corpo continua sujeito às tentações da carne. A luta pela qual então passamos, entre o bem e o mal que há dentro de nós, é descrita com detalhes no sétimo capítulo de Romanos. Nesse trecho bíblico, escreveu Paulo: “Porque eu sei que em mim, isto é, em minha carne, não habita bem algum; e, com efeito, o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem” (Romanos 7.18). Nesse passo bíblico, o apóstolo não levou em conta a ajuda que nos é dada pelo Espírito Santo; mas, no oitavo capítulo dessa mesma epístola, ele menciona o Espírito Santo nada menos que dezenove vezes no que tange à vida cristã vitoriosa. O controle do Espírito Santo sobre a vida do crente é o segredo da vitória sobre o pecado. O Espírito Santo está resolvido a levar-nos ao desenvolvimento espiritual; Ele quer mostrar-nos como podemos dominar a nossa natureza egoísta (Veja Romanos 8.1-14).
Continua no próximo post.

terça-feira, setembro 01, 2015

O Espírito Santo - 04.


Continuação do post anterior.
Continuação de outros elementos da personalidade do Espírito Santo.
4. Pronomes Pessoais. Talvez você já tenha notado o quanto a Bíblia concentra a atenção sobre o Espírito Santo nos capítulos 14 a 16 do Evangelho de João. É significativo que João tenha usado artigos pessoais para chamar a nossa atenção para a personalidade do Espírito Santo. Por exemplo o pronome pessoal ekeinos (no original grego) é usado em João 16.13, referindo-se ao Espírito Santo, reconhecendo assim a Sua personalidade. Esse é o mesmo pronome usado em relação a Jesus, em 1 João 2.6; 3.3,5,7 e 16.
5. Tratamento Pessoal. Finalmente, o fato que o Espírito Santo é alvo de tratamento pessoal, também aponta para a Sua personalidade. A Bíblia aponta que Ele pode ser tentado e submetido a teste (Atos 5.9), pode ser entristecido (Efésios 4.30), podemos mentir a Ele (Atos 5.3), podemos blasfemar ou falar contra Ele (Mateus 12.31,32), podemos resistir a Ele (Atos 7.51) e também podemos insultá-lO (Hebreus 10.29). Uma mera força impessoal não pode ser tratada como uma pessoa e nem seria capaz de ter atitudes próprias de uma pessoa.
Reconhecer a personalidade do Espírito Santo é importante. Quando percebemos que Ele é uma personalidade distinta da Deidade, então vemos que Ele é digno de nossa adoração, de nossa fé, de nosso amor, de nossas honrarias. Nosso interesse deveria permitir-Lhe controlar-nos e usar-nos para a Sua honra e glória.
O Ministério do Espírito Santo.
Já vimos um dos aspectos do ministério do Espírito Santo, quando Ele agiu juntamente com o Pai e o Filho na obra da criação. Em relação e esse envolvimento, diz o salmista: “Envias o teu Espírito e são criados, e assim renovas a face da terra” (Salmo 104.30). Essa referência, como notamos fala a respeito do papel do Espírito na manutenção e cuidado pela criação.
Quando o profeta Isaías discutia sobre a infinita grandiosidade do poder de Deus na criação e na providência (os cuidados e as orientações divinas), indagou: “Quem guiou o Espírito do Senhor? E que conselheiro o ensinou?” (Isaías 40.13). Ao considerarmos essa questão, inicialmente precisamos reconhecer as limitações da capacidade humana para conhecer os mistérios de Deus. Portanto só podemos responder a essa pergunta dizendo que não podemos compreender muito sobre o Espírito Santo, mas podemos ser tocados, abençoados e dirigidos pela Sua presença, recebendo forças da parte do Seu poder. Podemos ver os efeitos de Seu ministério, da mesma maneira que podemos ver os efeitos do vento, embora não compreendamos os seus mistérios (ver João 3.8).
Apesar do homem finito não poder compreender a plena extensão das infinitas atividades do Espírito de Deus, podemos examinar algumas áreas gerais de Suas atividades que nos são reveladas nas Escrituras. Esses desvendamentos através das Escrituras nos fornecem um quadro razoavelmente completo da pessoa do Espírito Santo, como também do Seu ministério. Consideraremos, portanto, o Seu ministério em relação a três pontos: 1) o mundo incrédulo; 2) o crente individual; e 3) a igreja como um todo.
Em relação ao mundo incrédulo.
Além do Seu envolvimento na criação e na providência, o Espírito Santo também se envolve com o mundo incrédulo. De acordo com João 16.8-11, Ele convence os homens do pecado, da justiça e do juízo.
1. Ele convence do pecado. Jesus ensinou que quando vier o Espírito Santo “... convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. Do pecado porque não crêem em mim” (João 16.8,9). O Espírito Santo convence os homens da pecaminosidade daqueles que não confiam em Jesus Cristo.
2. Ele convence da justiça. “... da justiça porque vou para o Pai, e não me vereis mais...” ( João 16.10). Em outras palavras, o Espírito Santo revela aos homens a retidão do Senhor Jesus Cristo e a falta de retidão de todas as outras pessoas. Ele relembra diante dos homens que, por causa do triunfo de Jesus sobre o pecado, agora Deus declara os pecadores como justos, capacitando-os , capacitando-os a se tornarem justos, através da fé em Cristo.
3. Ele convence do juízo. “... do juízo porque, o príncipe deste mundo está julgado” (João 16.11). O Espírito Santo convence os incrédulos do julgamento, mostrando-lhes a relação entre a morte e a ressurreição de Cristo, por um lado, e o julgamento do mundo, por outro lado. Por meio de Sua morte e ressurreição, Ele tornou-se vitorioso sobre o inimigo, satanás. Que está condenado à morte eterna. Assim, a cruz significou o pagamento de uma dívida: a penalidade imposta ao pecado. Também significa prover expiação por todos aqueles que aceitam esse pagamento e o cancelamento do poder do pecado e de satanás.

Continua no próximo post.

quarta-feira, agosto 19, 2015

O Espírito Santo - 03.




Continuação do post anterior.
Outros Elementos da Personalidade. Completando esses componentes essenciais da personalidade, existem alguns outros elementos que contribuem para entendermos o que é a personalidade. Esses outros elementos são: 1) associações pessoais; 2) atos pessoais; 3) nomes pessoais; 4) pronomes pessoais; e 5) tratamento pessoal. Ora, todas essas características secundárias podem ser aplicadas ao Espírito Santo, conforme veremos a seguir:
1. Associações Pessoais. Já vimos que na fórmula batismal e na bênção apostólica, o Espírito Santo é identificado juntamente com o Pai e o Filho. Essa associação com outras pessoas implica em personalidade. Não seria uma tolice se alguém tivesse que batizar no nome do Pai, e do Filho e da “força”, do “hálito”, do “poder” ou do “vento”? (Mateus 28.19). Certamente que seria, pois somente uma personalidade pode ser associada, em suas ações, a outras personalidades.
Não há a menor sombra de dúvida que foi baseado nisso que os apóstolos e anciãos, por ocasião do Concílio de Jerusalém, escreveram: “Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo, e a nós não vos impor maior encargo algum, senão essas coisas essenciais...” (Atos 15.28). A personalidade do Espírito Santo, pois, fica claramente entendida mediante a Sua associação às outras duas pessoas da Trindade.
2. Atos Pessoais. Quando consideramos as atividades do Espírito Santo, segundo são reveladas nas Escrituras, veremos como isso nos confere um entendimento mais completo sobre a Sua personalidade. Leia cada um desses trechos bíblicos:
  • 2 Pedro 1.21 – O Espírito Santo revela, motiva e capacita.
  • 1 Coríntios 2.10 – Ele sonda.
  • Atos 13.2 e Apocalipse 2.7 – Ele fala e chama pessoas ao serviço.
  • João 15.26 – Ele testifica.
  • Atos 16.6,7 – Ele dirige Seu povo no serviço, geralmente proibindo-o ou restringindo-o em alguma ação.
  • Romanos 8.26 – Ele intercede por nós.
  • João 14.26 – Ele ensina.
  • João 16.8-11 – Ele reprova.
  • João 16.13 – Ele nos guia.
  • João 16.14 – Ele glorifica a Cristo.
  • João 3,5 – Ele nos regenera.
3. Nomes Pessoais. Na véspera de Sua crucificação, Jesus revelou a Seus discípulos que iria deixá-los, sabendo que com Sua partida eles não teriam mais a sua liderança, apoio e conselhos, Jesus lhes disse: “E eu rogarei ao Pai, e Ele vos dará outro Consolador para que fique convosco para sempre” (João 14.16).
Imediatamente Jesus identificou Aquele que tomaria o Seu lugar, o Espírito Santo (João 14.26). Jesus também afirmou que assim como Ele viera para revelar o Pai, assim também o Espírito Santo haveria de explicar, revelar e interpretar a natureza e a vontade de Jesus aos homens. Compare esses trechos bíblicos: João 14.15-18,26; 15.26 e 16.13-15. Vemos, pois, que o Espírito Santo foi chamado de Conselheiro e que Ele foi enviado para tomar o lugar de Jesus e levar avante o Seu ministério como um outro Conselheiro. Essa responsabilidade exigia uma personalidade discernidora, sensível, capaz de agir em lugar do Filho de Deus.
O Espírito Santo foi enviado pelo Pai a pedido do Filho (João 15.26), a fim de glorificar ao Filho e ministrar às necessidades espirituais dos crentes. Ele é chamado de Espírito da Verdade (João 14.17), Espírito de Vida (Romanos 8.2), Espírito de graça (Hebreus 10.29), Espírito de adoção (Romanos 8.15; Gálatas 4.5-7), Espírito da promessa (Atos 1.5), Espírito da Santidade (Romanos 1.4) e também Advogado (1 João 2.1) ou Conselheiro (João 14.16,26). Aquele que recebeu todos esses nomes é o mesmo Espírito Santo que glorifica a Jesus, que O torna real para nós e que dá prosseguimento à Sua obra nesse mundo.
O Conselheiro também é chamado de Espírito Santo (Efésios 4.30), Espírito de Jesus (Atos 16.7), Espírito de Cristo (Romanos 8.9), Espírito de Jesus Cristo (Filipenses 1.19) e Espírito de Deus (1 João 4.2). Embora os nomes possam diferir uns dos outros, a referência, em todos esses casos, é sempre a mesma Pessoa. Os vários nomes simplesmente identificam diferentes aspectos de Sua natureza e do Seu trabalho.
Continua no próximo post.